Espanhola é condenada a 14 anos nos EUA por se recusar a devolver filha ao pai

Uma espanhola foi condenada a 14 anos de prisão em Nova Jersey, nos Estados Unidos, por ocultar a filha na Espanha para não entregar a criança ao ex-marido americano. A advogada Maria José Carrascosa, de 44 anos, foi condenada por interferência na guarda concedida ao pai da criança e por desobedecer uma ordem judicial para devolver a filha a ele.

BBC Brasil |

A advogada foi casada com Peter Innes, nos Estados Unidos, entre 1999 e 2004. Ela levou a filha, Victoria, hoje com 9 anos, para Valencia, alegando que o ex-marido era violento.

A disputa pela custódia da menina, que vem seguindo uma trajetória complicada nos tribunais, já dura vários anos.

O pai de Victoria levou o caso para a Justiça americana e também para Justiça espanhola e conseguiu a guarda da filha nos Estados Unidos. Carrascosa só procurou a Justiça na Espanha e, quando voltou aos Estados Unidos em 2006, foi intimada a entregar a filha ao pai em dez dias. Não o fez e acabou presa.

"Peça de xadrez"
Enquanto Carrascosa cumpre pena na prisão em Nova Jersey, a menina permanece sob os cuidados dos avós maternos. Ela não vê os pais desde 2005. A Justiça espanhola decidiu que a menina não pode deixar o país até que cumpra 18 anos.

Nos Estados Unidos, o juiz Donald Venezia disse que a ré "tratou a filha como uma mera propriedade, uma peça de xadrez".

"E o jogo acabou", declarou, acrescentando que este é "um caso de ódio e vingança" e que Carrascosa havia "criado ela mesma" essa situação.

De acordo com o jornal espanhol El Pais, o juiz americano admitiu que pode rever a condenação caso a menina seja trazida para território americano.

A família de Carrascosa chegou a propor que o juiz Baltasar Garzón fosse o mediador entre as Justiças da Espanha e dos Estados Unidos para se chegar a uma solução para o caso, mas as autoridades judiciárias espanholas rejeitaram tal pedido, diz o El Pais.

Garzón é famoso por ter conseguido a prisão do ex-presidente chileno, general Augusto Pinochet, em Londres, em 1998, alegando violação de direitos humanos.

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