O governo da cidade de Melilla, enclave espanhol no Marrocos, cedeu à exigência do governo nacional e anunciou que vai retirar a última estátua do ditador Francisco Franco que ainda permanece em uma via pública da Espanha. A retirada, que deve ocorrer em cerca de duas semanas, atende à determinação da chamada Lei da Memória Histórica.

AP

Última estátua pública do ex-ditador espanhol general Francisco Franco

A lei, aprovada em 2007, obriga a retirada de todos os símbolos do regime franquista das vias públicas espanholas.

Desde 1978, o governo de Melilla vinha recebendo pedidos para retirar a estátua, mas sucessivos governos de direita na prefeitura vinham alegando que a estátua não era uma homenagem a um ditador, e sim ao comandante da legião militar da cidade, já que Franco serviu ao Exército ali.

A estátua de bronze - que mostra Franco jovem, de pé e em uniforme militar - deve ser levada para um museu militar da cidade.

"Em Melilla, foi difícil", disse à BBC Brasil o porta-voz da associação Coletivo para a Supressão de Símbolos Franquistas, Enrique Delgado.

"A cidade foi governada por seis partidos e nenhum jamais quis conversar sobre a retirada do monumento. Uma obsessão por manter viva a passagem do ditador por ali, como se alguém pudesse se orgulhar disso."

De acordo com a Lei da Memória Histórica, os símbolos do franquismo - incluindo nomes de logradouros públicos - só poderão ser mantidos em locais privados ou de acesso público com autorização do Estado.

Essas exceções são museus e igrejas, onde as marcas da ditadura foram catalogadas como bens culturais.

De monumentos a nomes de ruas, já houve alterações em ao menos 950 lugares com a marca do ditador.

Em dezembro, a última estátua de Franco em uma via pública na parte europeia da Espanha foi retirada da cidade de Santander. Francisco Franco governou a Espanha de 1936 até sua morte, em 1975.


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