Madri, 29 jul (EFE).- A Espanha começou a aplicar o sistema de doação de órgãos cruzada, que permitiu realizar com sucesso os dois primeiros transplantes de rim de doadores vivo, entre dois pares que precisavam do procedimento médico, informou hoje a ministra da Saúde espanhola, Trinidad Jiménez.

Trata-se de duas pessoas da Andaluzia, no Sul da Espanha, e outras duas da região de Aragão, no nordeste, que recorreram ao novo sistema, através do qual uma pessoa que necessita de um rim e conta com um doador incompatível, pode trocar o órgão com outro par na mesma situação.

Tanto os doadores, quanto os receptores foram operados no dia 21, no Hospital Clínic de Barcelona e no Virgem das Neves, em Granada, no mesmo dia e na mesma hora. Todos já receberam alta e "estão em perfeito estado de saúde", disse a ministra.

A "doação cruzada" foi implantada em 2008 pela Organização Nacional de Transplantes (ONT), em colaboração com os Governos regionais, com a finalidade de potencilizar a doação ao vivo.

A técnica é possível, porque considera que, neste caso, existe "duas vontades prévias de doação" que se conectariam, sempre com o anonimato dos participantes e através da assinatura de um documento.

O coordenador nacional da ONT, Rafael Matesanz, expressou sua confiança na "decolagem definitiva" deste tipo de tratamento, que se realiza através de uma cirurgia laparoscópica muito pouco invasiva e que liberará de fazer diálises, a cada ano, aproximadamente 400 pessoas que sofrem de insuficiência renal crônica.

A primeira avaliação da possível troca entre doador e receptor compatível foi feita entre 16 pares que se encaixavam em todos os requisitos previstos no programa, dos quais 13 correspondem a uniões sentimentais e casamentos.

Entre setembro e outubro, será feita uma nova revisão das pessoas que estão na lista de espera e os novos que surgirem até o momento de avaliação, para decidir quem serão os próximos candidatos.

Matesanz explicou que este tratamento é utilizado há mais de uma década em países onde a doação de órgãos é inexistente ou mais baixa que na Espanha, como a Coreia do Sul, a Holanda, a Reino Unido ou os Estados Unidos. EFE ad/pd

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