Espanha terminará 2008 em recessão, mas grandes empresas se salvam

Se as previsões da Comissão Européia de Economia se cumprirem, a Espanha terminará 2008 em recessão. O recente informe da Comissão Européia previu para os espanhóis dois trimestres consecutivos de crescimento negativo: retração de 0,1% e 0,3%; e taxas de inflação de 5% e 4% para os meses finais de 2008.

BBC Brasil |

E pior, a Espanha será o último país da área do euro a sair da crise, segundo o relatório apresentado em Bruxelas no início de setembro.

Por outro lado as maiores instituições privadas do país respiram em pleno vendaval financeiro internacional. Principalmente pelos resultados das filiais latino-americanas.

As grandes empresas do país, como o Banco Santander e a Telefonica, não só estão se salvando, como ainda poderão fechar seus balanços em positivo, graças aos resultados da América Latina.

O Banco Santander, que tem cerca de um terço de seus ativos no Brasil, espera terminar o ano com lucro bruto de 10 bilhões de euros e mantém a expectativa de crescimento de 15%.

Segundo o presidente do Santander, Emílio Botín, a crise atual é "o período mais difícil já visto por toda uma geração de banqueiros" e a economia espanhola está reagindo "pior do que se esperava".

Mas, para ele, o banco sobrevive porque "está melhor preparado do que muitos de seus concorrentes".

Uma das razões desse otimismo aparece nos resultados das filiais de Brasil e México.

Apesar da queda de 15,4% das ações nos últimos 18 meses (enquanto a perda média dos títulos dos 20 principais bancos do mundo chegou aos 36%), o Santander obteve com a filial brasileira seu melhor resultado trimestral: 262 milhões de euros de lucros.

Para o diretor da divisão de América do Santander, Francisco Luzón, a crise "não afetou as expectativas de crescimento da região", mas há uma advertência: controlar a inflação.

Luzón definiu como "crítica" a subida dos preços e recomenda aos governos de Brasil, México, Chile, Argentina, Colômbia, Peru e Venezuela "reconduzir a inflação para níveis abaixo dos 4%".

O banqueiro espanhol disse que o Santander "não renuncia a nenhuma de suas metas na América Latina": crescimento de 20% em 2009, aumento anual do volume de créditos entre 20% e 25% e dos depósitos entre 14% e 20%, mas que também é preciso "ser muito prudente nessa atual conjuntura".

Os analistas financeiros concordam.

"O Brasil conseguiu se isolar da crise. Tem sólidos fundamentais, cada vez maior autonomia dos Estados Unidos e as matérias primas continuam com preços altos. Mas é necessária certa precaução antes de investir mais ali", comentou à BBC Brasil Alejandro Varela, gestor de fundos da operadora financeira Renda 4.

Mais do que precaução, a Telefônica encontrou na América Latina um refúgio em épocas de crise. Se na Espanha o faturamento do último trimestre subiu 1,4%, nas filiais sul-americanas o aumento foi de 9,4%.

Só no Brasil a operadora ganhou 2,6 milhões de novos clientes em telefonia celular no primeiro semestre de 2008, 66% a mais do que no ano passado.O sucesso fez com que o investimento em banda larga e fibra ótica chegasse antes ao mercado brasileiro do que ao espanhol.

Economia
A resposta positiva das grandes empresas animou o governo socialista do premiê José Luis Rodriguez Zapatero a criar uma campanha internacional para defender o país em tempos de crise.

Segundo o Palácio de la Moncloa (sede do governo) "a situação econômica da Espanha é melhor do que se crê no exterior" e o país vive um "grande descrédito" por causa da taxa de desemprego, pressão inflacionária e a estagnação do setor da construção civil.

A campanha "marca Espanha" usando como referências o Santander e a Telefônica já começou a dar frutos.O jornal britânico Financial Times recomendou na edição do passado dia 30 de setembro aos banqueiros internacionais "tomar lições espanholas", lembrando o Banco Santander era um desconhecido uma década atrás e tornou-se um sobrevivente da crise mundial.

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