Espanha tenta encontrar uma explicação para a tragédia do avião da Spanair

As hipóteses se multiplicavam nesta sexta-feira sobre as circunstâncias e as causas do acidente de avião que deixou 153 mortos, entre eles o brasileiro Ronaldo Gomes da Silva, na quarta-feira no aeroporto de Madri, com alguns investigadores afirmando que o motor não pegou fogo na decolagem como algumas testemunhas afirmam.

AFP |

Estes investigadores chegaram a esta constatação após examinar as imagens do acidente, filmadas pelas câmeras do aeroporto, segundo o jornal El Pais e a ABC.

O vídeo, cuja existência foi reconhecida pela vice-presidente do governo Maria Teresa Fernandez de la Vega, não foi divulgado pelas autoridades.

O avião, um MD-82 da companhia espanhola Spanair que faria a rota Madri-Las Palmas, no arquipélago das Canárias, bateu na hora da decolagem quarta-feira, deixando 153 mortos e 19 feridos, o mais grave acidente de avião na Espanha em 25 anos.

Segundo a ABC, as imagens mostram que o avião perdeu força, uma hipótese corroborada pelo testemunho de um piloto de um outro avião em fase de aterrissagem.

"Este avião não vai decolar, está só deslizando na pista", teria declarado este piloto proveniente de Guayaquil (Equador), segundo a ABC.

O ministério da Infra-estrutura, responsável pela comissão de investigação e pela Aviação civil, não forneceu nenhum detalhe nesta sexta-feira sobre o desenrolar da investigação.

O jornal El Mundo antecipou uma outra teoria, evocando a possibilidade de uma explosão da turbina esquerda, cujos estilhaços teriam afetado o leme.

A investigação está apenas começando. As caixas pretas ainda não foram formalmente analisadas. O procurador encarregado do caso na justiça, Emilio Valerio, espera o resultado para daqui um mês.

"Estamos pensando num prazo de um mês, não gostaria que o prazo fosse tão longo", declarou a rádio Cadena Ser.

As duas caixas pretas foram recuperadas nos escombros, mas uma foi danificada no acidente. Segundo o El país, citando fontes do ministério da Infra-estrutura, trata-se da que registra os dados técnicos do avião, enquanto a outra, que grava as conversas no cockpit, estaria intacta.

O jornal El Mundo já havia questionado na véspera do acidente ass condições da companhia Spanair, filial da escandinava SAS, que atravessa uma situação econômica difícil, e nesta sexta-feira divulgou novas críticas à empresa, apoiado em testemunhos de profissionais do setor.

Segundo um ex-piloto da Spanair, anônimo, a companhia pressiona os mecânicos para que eles dêem autorização de decolar para o avião, mesmo que ele ainda não esteja pronto. "É um segredo de polichinelo em toda a aviação espanhola", disse.

"Este MD-82 tinha problemas com seu motor esquerdo havia um mês, não estava em bom estado para voar, mas a Spanair não tem condições para substituí-lo", também declarou Javier Fernandez Garcia, coordenador dos vôos da companhia Air Comet no aeroporto de Barajas.

José Maria Vazquez, piloto da Spanair e presidente de um sindicato de pilotos, não concordou com esta tese do jornal El Pais declarando: "atribuir o acidente à situação da companhia é um absurdo".

Na manhã desta sexta-feira, o chefe do governo José Luis Rodriguez Zapatero recebeu o presidente do governo regional das Canárias, Paulino Rivero, enquanto as vítimas, várias delas carbonizadas, estão sendo identificadas.

Entre os 19 feridos, 3 estão em estado grave nesta sexta-feira, segundo as autoridades de saúde da região de Madri.

O prefeito de Madri anunciou os funerais oficiais das vítimas em 1º de setembro na catedral de La Almudena.

fz/lm

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