Espanha se despede dos mortos no terremoto de Lorca

Funeral com honras de Estado e participação da Família Real é realizado para quatro dos nove mortos de quarta-feira

iG São Paulo |

Centenas se despediram nesta sexta-feira em Lorca dos nove mortos no terremoto que afetou a cidade do sudeste da Espanha na quarta-feira . Um funeral foi realizado com honras de Estado, e a Família Real foi representada pelos príncipes de Astúrias, Dom Felipe de Bourbon e sua mulher, Letizia. O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também compareceu à cerimônia.

A cerimônia foi feita com os corpos de quatro dos mortos, pois as famílias das outras cinco vítimas preferiram realizar o sepultamento em cerimônias particulares.

Dom Felipe e Letizia consolaram os parentes das vítimas e conversaram com cada um deles, que estavam sentados atrás dos caixões na primeira fila de cadeiras colocada em uma tenda improvisada para o funeral, do qual participaram mais de mil pessoas.

"A imensa tragédia deixou sobre esta terra um cenário de angústia e lágrimas", lamentou em sua homília o bispo de Cartagena, Dom José Manuel Lorca Planes, em um altar montado em frente aos caixões. O religioso proferiu palavras de consolo para os familiares dos falecidos, pedindo para que todos tivessem força para "que esta cidade volte a ressurgir e atinja o seu esplendor".

Um tremor de magnitude 5,1 ocorreu na tarde de quarta-feira, duas horas depois de um terremoto de magnitude 4,5. Além dos 9 mortos, 259 ficaram feridas.

Prejuízos

Na quinta-feira, moradores de Lorca começaram a calcular os prejuízos causados pelo tremor de quarta-feira, o mais grave a atingir a Espanha desde 1956 . Cerca de 20 mil edifícios, muitos deles medievais, foram danificados na cidade histórica de 90 mil habitantes na região de Múrcia, sul da Espanha.

O presidente da Comunidade Autônoma de Múrcia, Ramón Luis Valcárcel, disse que 80% das casas de Lorca foram danificadas pelo terremoto. Os abalos derrubaram parcial ou totalmente vários edifícios, enquanto muitos outros apresentam grandes danos à vista, como fendas nas fachadas e desabamento de telhados, janelas e portas.

No entanto, depois da revisão da maioria dos edifícios pelos técnicos nesta quinta-feira, constatou-se que apenas 10% das construções têm "danos estruturais", disse o prefeito Francisco Jódar.

Zapatero disse na manhã de quinta-feira que o governo não "abrirá mão de nenhum meio econômico para a tarefa de reconstrução da cidade", localizada na região de Múrcia, que sofreu danos "consideráveis" e um "impacto muito sério".

Ao relento

O prefeito de Lorca, Francisco Jodar, disse que "quase ninguém dormiu em sua residência" na noite de quarta para quinta-feira. Jodar disse que as pessoas dormiram em carros, ruas, praças, quadras, parques públicos ou outras cidades.

"Providenciamos cobertores, comida, água, remédios e assistência psicológica", disse ele. "É muito triste ver vizinhos passando a noite na rua. Há muito medo de que possa ocorrer outro evento sismológico", disse ele.

Com o nascer do dia, muitos fizeram fila para receber alimentos e bebidas quentes preparados pela equipe de resgate. Parte dos moradores voltou para casa, mas muitos receberam ordens de não retornar até que as construções sejam vistoriadas.

"Estamos com medo porque nossa casa não caiu, mas parece muito danificada", disse o morador José Crespo.

TV

A Cruz Vermelha diz ter deslocado 24 ambulâncias e montado três hospitais de campanha na área. Centenas de militares foram enviados para as operações de resgate, busca por sobreviventes, limpeza e vistoria dos edifícios. As escolas e algumas estradas permanecem fechadas, embora alguns serviços de trem tenham sido restabelecidos.

O tremor mais forte foi sentido até na capital da Espanha, Madri. Uma equipe de TV captou imagens do desabamento da torre de uma igreja do século 17 a poucos metros de distância.

Centenas de tremores ocorrem anualmente na Espanha, mas a maioria nem chega a ser notada. Múrcia é a região espanhola mais propensa a terremotos, tendo sofrido forte tremores em 2005 e 1999.

*AFP e BBC

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