Espanha retomará normalidade nos aeroportos em 48 horas

O ministro do Interior garantiu que não voltará a haver problemas nos aeroportos nem no Natal nem depois

EFE |

A Espanha demorará cerca de 48 horas para retomar a normalidade total em seus aeroportos após o enorme caos provocado pela greve dos controladores aéreos, informou neste sábado o vice-presidente do Governo espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba.

"A normalização completa dos aeroportos demorará provavelmente cerca de 48 horas. Isso se deve aos ajustes técnicos que é preciso fazer nos planos de voo e, ao mesmo tempo, à necessária coordenação que deve ser feita com a Europa", explicou Rubalcaba em entrevista coletiva.

O também ministro do Interior garantiu que não voltará a haver problemas nos aeroportos nem no Natal nem depois, e assegurou que o Executivo está firmemente comprometido a impedir que uma minoria, como os controladores aéreos, ponha em risco o interesse geral.

"Isto não vai a voltar a acontecer. Temos mecanismos legais, que demonstramos, para impedir que volte a acontecer", disse.

O vice-presidente revelou ainda que o "estado de alerta", declarado neste sábado com uma duração de 15 dias, poderia ser prolongado se fosse necessário.

Rubalcaba confirmou que "pouco a pouco" os aeroportos espanhóis "estão recuperando sua normalidade", já que "mais de 90% dos controladores estão trabalhando em seus postos" e se trata de "um número que poderíamos considerar normal".

Até às 18h (horário de Brasília), o Aena - órgão que gerencia os aeroportos espanhóis - tinha operado 241 voos em toda sua rede de aeroportos.

Assim, dos 3.424 voos programados para este sábado, 2.609 foram cancelados até agora.

O titular de Interior classificou como "greve selvagem" e "fatos gravíssimos" a paralisação que os controladores iniciaram nesta sexta-feira sem aviso prévio e que afetou mais de 600 mil passageiros.

"É evidente que foi um fato de enorme gravidade e que teve consequências muito danosas ao país", avaliou.

A reabertura do espaço aéreo espanhol aconteceu depois que o Governo decretou, na manhã deste sábado e pela primeira vez desde o estabelecimento da democracia, o "estado de alerta", que "mobiliza" e põe os controladores aéreos sob disciplina e lei militares.

Um total de 190 soldados da Aeronáutica foram enviados às torres e centros de controle aéreo de toda Espanha, assim como ao dispositivo de coordenação e acompanhamento que existe no Estado-Maior do Ar, após a greve dos controladores aéreos.

"Enquanto durar o estado de alerta - esclareceu Rubalcaba -, os controladores estarão submetidos a um regime jurídico militar, concretamente, ao Código Penal Militar".

A decisão sem precedentes do Executivo foi adotada depois que os controladores fizeram o abandono em massa de seus postos na sexta-feira à tarde, causando o fechamento do espaço aéreo espanhol e um grande caos nos aeroportos que afetou centenas de milhares de pessoas que iriam viajar no feriado prolongado na Espanha.

Além disso, o ministro advertiu que "haverá consequências para aqueles que de uma forma irresponsável, inexplicável e muito danosa abandonaram seus postos de trabalho".

"O Aena abrirá expediente administrativo a todos os controladores que tenham faltado a seu posto de trabalho sem razão ou justificativa", antecipou o vice-presidente.

A crise dos controladores representa um golpe "duríssimo" para o setor do turismo e para a imagem da Espanha, declarou o secretário de Estado desse setor, Joan Mesquida.

Segundo Mesquida, os controladores "não mediram as consequências brutais que estão provocando", originando perdas milionárias às companhias aéreas e às redes hoteleiras.

O setor turístico espanhol deixará de faturar cerca de US$ 330 milhões pelo fechamento do espaço aéreo espanhol, revelou o presidente da associação de agências de viagens, José Manuel Maciñeiras.

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