Espanha presta homenagem a vítimas de acidente aéreo em meio a investigações

Madri, 21 ago (EFE).- Milhares de espanhóis fizeram hoje manifestações silenciosas em homenagem às vítimas do acidente com um avião do aeroporto de Barajas, em Madri, no qual 153 morreram e 19 ficaram feridas, na pior catástrofe da aviação comercial no país em mais de 20 anos.

EFE |

As autoridades iniciaram a investigação das causas do acidente do avião da Spanair, que se acidentou na quarta-feira no aeroporto de Barajas quando tentava decolar com destino a Las Palmas de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias.

O acidente aéreo pode ter sido causado por problemas no comando ou no motor direito do avião originados pela falha inicial do motor esquerdo, que fizeram com que o aparelho ficasse bloqueado, explicaram hoje à Agência Efe fontes da Aviação Civil.

Segundo estas fontes, tudo indica que a falha do motor esquerdo provocou sua ruptura interna, com o desprendimento de peças, que atuaram como "mísseis".

Os fragmentos podem ter prejudicado o comando de direção da parte esquerda do avião ou o motor direito, já que, nesse tipo de aeronave, os motores ficam presos ao comando na cauda.

A companhia aérea Spanair informou que o avião se acidentou em uma segunda tentativa de decolagem, e teve um problema de superaquecimento quando ganharia velocidade para decolar pela primeira vez.

O acidente aconteceu pouco antes das 15h da quarta-feira (10h de Brasília), quando o avião, que iniciava viagem para Las Palmas de Gran Canaria com 164 passageiros e 9 tripulantes, caiu segundos após decolar em uma das pistas do aeroporto de Barajas, e se incendiou.

Segundo a Spanair, após abortar a primeira tentativa de decolagem, o aparelho voltou ao hangar e o problema "foi tratado e isolado" pelo pessoal da companhia aérea, que o liberou para vôo.

A companhia aérea repassou o problema com inspetores da Aviação Civil e não encontrou "anormalidade" no processo, informou a companhia.

Ao meio-dia, em diversos lugares da Espanha, milhares de pessoas se concentraram em silêncio nas ruas como homenagem às vítimas, em um dia de luto e comoção.

A manifestação de luto foi compartilhada pelos reis Juan Carlos e Sofía da Espanha, no aeroporto, e pelo presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em um dos hospitais onde ele visitou vários dos 19 feridos no acidente.

Zapatero prometeu que a investigação do acidente será exaustiva, para obter "conclusões esclarecedoras das causas e circunstâncias da tragédia".

O Governo anunciou que uma comissão de investigação constituída expressamente para esclarecer as causas do acidente já começou seus trabalhos.

Esta comissão é formada por sete técnicos que reunirão todos os dados do acidente, mas não deve haver conclusões até algumas "semanas, ou até meses", segundo fontes do Ministério da Infra-estrutura espanhol.

Zapatero presidirá uma reunião com a primeira vice-presidente do Governo, María Teresa Fernández de la Vega, e vários de seus ministros, para analisar o desenvolvimento dos trabalhos de identificação dos cadáveres, de atendimento dos feridos e das famílias das vítimas, e da investigação das causas do acidente.

Os bombeiros encontraram hoje os corpos de duas pessoas que permaneciam desaparecidas, e com isso finalizaram os trabalhos de busca de vítimas em torno do aparelho.

Os 19 feridos no acidente, entre elas três crianças, permanecem internadas em vários hospitais, quatro em estado muito grave e outros seis em situação grave, oito em observação e cuja evolução é favorável e outro levemente ferido, informaram responsáveis de saúde da Prefeitura de Madri.

Os cadáveres das vítimas não identificadas foram levados ao cemitério de La Almudena, em Madri, onde a Polícia científica realiza exames de DNA.

Os corpos resgatados desde a tarde da quarta-feira em meio aos destroços do avião foram transferidos a um recinto próximo ao aeroporto, onde os parentes aguardam para receber os corpos e levá-los a seus lugares de origem.

A Prefeitura de Madri anunciou que, na próxima semana, acontecerá na capital da Espanha um funeral pelas 153 vítimas fatais do acidente.

Os familiares foram hospedados em um hotel próximo ao aeroporto, enquanto acontece a identificação dos cadáveres.

O parente de uma vítima que viajou a Madri das Ilhas Canárias disse à Agência Efe que "o mais difícil é o reconhecimento dos cadáveres. Isso são só lágrimas".

Antonio Domínguez, que perdeu duas filhas, de 14 e 19 anos, esta última grávida, e um neto, dizia: "perdi tudo, estamos esperando para levar os corpos".

A raiva e a indignação também estão presentes entre alguns dos parentes, que se perguntam por que o avião decolou, se tinha problemas.

"Se o avião estava quebrado, por que deixaram que saísse?", gritava uma mulher na porta do hotel. EFE nac/an

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