Espanha precisará de 2 milhões de imigrantes até 2020, diz relatório

Um relatório de economistas e sociólogos da Espanha afirma que o país precisará de 2 milhões de imigrantes estrangeiros até 2020 para suprir a mão-de-obra necessária à economia do país. A análise da Fundação Empresa e Sociedade é que a baixa natalidade e o envelhecimento da população deixarão a Espanha sem trabalhadores no futuro.

BBC Brasil |

O grupo de especialistas, que inclui professores catedráticos e ex-ministros, recomenda a entrada de 157 mil trabalhadores por ano, no mínimo, tendo como referência o período 2005-2020.

Segundo o estudo apresentado nesta quinta-feira em Madri, a Fundação estima que a população espanhola jovem (entre 16 e 39 anos) cairá dos 15,8 milhões em 2005 para 11 milhões no ano 2020.

Já o grupo dos 40 aos 64 anos chegará aos 17 milhões, quando em 2005 era de 13,4 milhões.

Crise econômica
Um dos autores do relatório, o professor catedrático de Economia Aplicada da Universidade de Barcelona, Josep Oliver, disse que a estimativa de 2 milhões foi baseada no atual momento de desaceleração, prevendo uma "possível crise econômica severa, que deverá ser superada até o final do próximo ano".

Mas em todos os casos os especialistas consideraram o grande aumento do número de aposentadorias a partir de 2020.

O relatório indica que "não há soluções para as conseqüências econômicas do envelhecimento populacional sem contar com a imigração".

Por isso sugerem ao governo revisar as leis que permitem a entrada e licença de trabalho para os estrangeiros, com o argumento de que nos últimos cinco anos a imigração contribuiu com 50% do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

O ex-ministro de Trabalho e Assuntos Sociais, Manuel Pimentel (Partido Conservador), que participou da elaboração do relatório, disse que é preciso criar políticas de integração mais eficazes.

"Os imigrantes geraram um superávit histórico nas contas públicas. É um fenômeno estrutural, não conjuntural", disse o ex-ministro.

Sem alarmismo
Os especialistas da Fundação Empresa e Sociedade recomendam a governo e população que deixem de criar alarmismo em torno da imigração.

Primeiro porque a convivência com os estrangeiros já é uma realidade (o censo de 2007 revelou que 10% da população do país nasceu fora da Espanha) e que a tendência é o aumento de estrangeiros no futuro.

Também rebateram os argumentos dos que acusam os imigrantes de gastar os fundos sociais em saúde, educação e outros benefícios como o seguro-desemprego.

"Qualquer cidadão que pague a Seguridade Social tem direito. Chega de mensagens alarmistas", disse Pimentel.

Polêmica
Com base em dados econômicos, sociais e demográficos recentes, o vice-presidente da Fundação e demógrafo, Rafael Puyol, estima haver atualmente cerca de 5,8 milhões de imigrantes legais e ilegais na Espanha, ou cerca de 13% da população.

Pelos cálculos de Puyol, isso significa que entre 20% e 25% da mão-de-obra do país é imigrante. Em 2020, seguindo o demógrafo, esse percentual deverá passar para 35%.

Na sociedade, no entanto, a chegada de mais estrangeiros é vista como polêmica. A última pesquisa do Centro de Investigações Sociológicas (oficial), feita em janeiro indicou que a imigração é o quarto problema que mais preocupa os espanhóis e que 60% da população associa imigrantes com delinqüência.

Em outros países europeus também há idéias contrárias à imigração. Nesta semana a Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara dos Lordes do Parlamento Britânico disse que os imigrantes prejudicam os mercados de trabalho e imobiliário.

E o governo francês pediu ao primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero que a Espanha não faça mais anistias coletivas de imigrantes porque prejudicam a toda a União Européia.

O governo Zapatero oficialmente se comprometeu a aceitar o pedido.

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