Espanha precisará de 100 mil imigrantes qualificados ao ano, diz relatório

O governo espanhol está vetando a entrada de trabalhadores estrangeiros, mas admitiu que a economia nacional precisa deles. Segundo o Relatório Anual da Imigração na Espanha lançado nesta quarta-feira, o país precisará de 100 mil imigrantes com formação universitária por ano até 2020.

BBC Brasil |

Em lugar dos habituais trabalhadores dos setores de construção e serviço, a economia espanhola necessita de profissionais qualificados, principalmente nas áreas de tecnologia, saúde e telecomunicações.

O informe apresentado pela consultoria Etnia Comunicação com aval da Secretaria de Estado de Imigração avisa que "o descenso drástico dos fluxos migratórios teria um impacto sócio-econômico muito negativo para a Espanha.".

De acordo com o relatório, o país está reestruturando sua indústria, empurrado pela crise, e o maior investimento em setores tecnológicos exige maior número de profissionais e com melhor nível de formação.

Fuga de talentos
A Associação de Empresas de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (AETIT) confirma que faltam trabalhadores, não só pelo aumento da demanda com o crescimento de companhias relacionadas à informática, mas pelo que os espanhóis chamam de fuga de talentos - que significa a emigração de profissionais qualificados para outros países.

O Anuário indica que seis em cada dez trabalhadores espanhóis com alto nível de formação vão para os Estados Unidos em busca de melhores condições de trabalho.

"A Espanha necessita mudar seu modelo econômico e está perdendo a oportunidade de crescer porque aqui é muito complicado trazer e manter imigração de talento. Precisamos de um futuro baseado na alta qualificação do emprego", disse o presidente da AETIT, Jesus Banegas na entrevista coletiva de apresentação do relatório em Madri.

Engenharia e saúde
Só para o setor de engenharia de telecomunicações já estão faltando 25 mil trabalhadores. A demanda tende a aumentar porque na última década o número de engenheiros recém-formados nas faculdades espanholas caiu em 20%.

A área da saúde também precisará de mais trabalhadores. Segundo o relatório, o envelhecimento da população e o surgimento de novos hospitais particulares vão requisitar médicos, enfermeiros e assistentes nos próximos anos.

A procura neste setor chegou a provocar uma ameaça do Governo da Catalunha ao Ministério da Saúde: contratar médicos estrangeiros mesmo que seus diplomas não sejam homologados, se a província ficar sem profissionais suficientes.

Os cálculos dos autores do anuário coincidem com as previsões da OCDE e do Banco Central Europeu. Para manter a economia espanhola competitiva serão necessários 430 mil trabalhadores estrangeiros até 2012 e um total de 1,3 milhão até 2020.

Queixas
A secretária de Estado de Imigração, Consuelo Rumí que participou da apresentação do relatório, ouviu as queixas dos empresários que acusaram o governo de dificultar a contratação de imigrantes.

No início de outubro o Ministério do Interior até anunciou a proibição desta atividade e lançou um plano de ajuda para que os estrangeiros voltem aos seus países.

Rumí respondeu que o governo é "flexível e tem capacidade de adaptação às mudanças de nossa realidade.".

Mas, por enquanto, não haverá novas políticas para os imigrantes "porque o aumento do desemprego nos últimos meses leva necessariamente a concentrar os esforços em satisfazer as demandas com os trabalhadores que já estão na Espanha".

O relatório cita ainda outras áreas onde haverá demanda de trabalhadores estrangeiros. Em geral, a demandas será por profissionais de formação técnica de nível médio, como eletricistas, soldadores e técnicos de manutenção de equipamentos de engenharia.

Os autores do anuário advertiram que o envelhecimento da população européia "é um fato irreversível e em menos de 10 anos as pessoas com mais de 40 anos serão maioria em todo o continente".

Por isso a Espanha precisará de 157 mil novos trabalhadores por ano até 2020. E o número de jovens espanhóis com idade para entrar no mercado de trabalho é cada vez menor. Passaram de 664 mil em 1991 para 369 mil em 2007.

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