Hugo Chávez nega qualquer envolvimento do país com o grupo separatista basco, após acusação da justiça espanhola

Autoridades da Espanha pediram nesta terça-feira que o governo da Venezuela colabore nas investigações sobre o grupo separatista basco ETA. Na segunda-feira, a Justiça espanhola afirmou que dois suspeitos de serem integrantes do ETA teriam recebido treinamento na Venezuela, o que o presidente do país latino-americano, Hugo Chávez, nega .

AP
Javier Atristain (foto de março de 2010) teria recebido treinamento na Venezuela
A primeira vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, afirmou que vai exigir a cooperação venezuelana. "Temos que trabalhar para que esta cooperação se traduza em fatos concretos, cumprindo as resoluções judiciais", disse, em entrevista à rádio Cope. Ela acrescentou que a Espanha não pensa em uma ruptura diplomática com a Venezuela: "Esta cooperação já ocorreu outras vezes".

O terceiro vice-presidente do governo espanhol, Manuel Chaves, também pediu que o país latino-americano ajude a esclarecer o suposto treinamento de integrantes do ETA. "Seria importante que a Venezuela fizesse um esforço para eliminar as dúvidas sobre este tema", afirmou, em entrevista à rede de televisão Telecinco.

Na segunda-feira, o presidente venezuelano Hugo Chávez negou que seu governo tenha qualquer vínculo com o grupo separatista. Em entrevista concedida a um programa da emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV), Chávez disse que o governo "refuta e desmente, reiterando o conteúdo do comunicado emitido em 8 de março de 2010 junto ao governo da Espanha, qualquer afirmação que pretenda vinculá-lo à organização terrorista ETA, cujas atividades rejeita sem paliativos".

"O governo venezuelano estima, como já o tornou de conhecimento público por intermédio de seu embaixador em Madri, que não se pode dar credibilidade às declarações feitas perante um juiz por dois criminosos sanguinários desprovidos de qualidade humana e moral", diz a nota lida pelo presidente.

A alegação feita pela justiça espanhola na segunda-feira ecoou uma acusação anterior de ligação do ETA com a Venezuela. Dessa vez, o juiz Ismael Moreno ordenou que Juan Carlos Besance e Javier Atristain fossem detidos sob a acusação de porte de armas e explosivos e por pertencer a uma organização terrorista.

A dupla, presa em Guipuzcoa, no País Basco, numa operação que descobriu 100 quilos de explosivos, foi treinada na França e na Venezuela no verão de 2008 antes de voltar para a Espanha, informam os documentos.

Em março, um outro juiz espanhol deu início a um incidente diplomático ao acusar o governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de ajudar os rebeldes do ETA. O juiz disse que rebeldes do ETA receberam proteção militar venezuelana em 2007 para chegarem a um lugar na floresta onde deram um curso sobre explosivos a membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O documento judicial desta segunda-feira não menciona as Farc.

Com EFE e Reuters

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