Espanha nega que EUA tenham oferecido dinheiro por presos de Guantánamo

Segundo Wikileaks, foram oferecidos US$ 85 mil por preso; EUA também teriam pressionado Espanha para congelar casos judiciais

EFE |

O ministro da Justiça espanhol, Francisco Caamaño, negou nesta terça-feira que os EUA tenham oferecido à Espanha uma quantia em dinheiro para receber os presos de Guantánamo, como publicou o jornal El País citando os documentos vazados pelo site WikiLeaks. Os documentos afirmam que foram oferecidos US$ 85 mil por preso.

"Segundo a informação que tenho, isso é absolutamente falso, é categoricamente falso que tenham oferecido quantidade alguma de dinheiro", declarou Caamaño.

De acordo com os documentos diplomáticos, os procuradores Javier Zaragoza e Vicente González Mota receberam pressões dos EUA para congelar três casos judiciais na Espanha contra políticos e militares americanos.

De acordo com documentos diplomáticos confidenciais divulgados pelo site, "a Embaixada dos EUA em Madri mobilizou importantes recursos nos últimos anos para frear ou boicotar as causas judiciais abertas na Espanha contra políticos e militares americanos", indicou o El País.

A primeira das causas se refere à morte do cinegrafista José Couso em Bagdá por disparos do Exército americano em 2003, durante a invasão do Iraque. A justiça espanhola reabriu o caso recentemente e emitiu três ordens de prisão contra militares americanos.

Outra das causas é a investigação aberta pelo juiz Baltasar Garzón ( suspenso de suas funções em maio ) após um processo por tortura na prisão de Guantánamo de Hamed Abderraman Ahmed, taleban de nacionalidade espanhola.

O terceiro processo refere-se às escalas feitas na Espanha por voos secretos americanos usados para transportar prisioneiros para Guantánamo. Por este caso, a promotoria espanhola pediu em maio a prisão de 13 dirigentes da CIA.

Segundo o El País, o ex-embaixador Eduardo Aguirre, que permaneceu no cargo durante a administração Bush, "coordenou pessoalmente muitas das pressões exercidas sobre o governo espanhol e as autoridades judiciais espanholas" para que esses casos fossem arquivados.

Para Caamaño, os documentos do site WikiLeaks são informações subjetivas que foram descontextualizadas. Em paralelo, a procuradoria-geral espanhola defendeu nesta terça-feira a "estreita e frutífera relação de cooperação" com a Promotoria americana e assegurou que sua postura em cada causa judicial tem como base critérios estritamente jurídicos.

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