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Espanha não é mais terra prometida para imigrantes, diz ministro

O ministro do Trabalho e Imigração, Celestino Corbacho, disse nesta quinta-feira que a Espanha não é mais uma terra prometida. Em entrevista à BBC Mundo, o ministro explica como o governo da Espanha está tentando conter a onda de imigrantes que tentam chegar ao país.

BBC Brasil |

A Espanha é um dos países europeus que mais têm recebido pessoas de fora do continente.

Entre as medidas propostas pelo governo estão incentivos para que imigrantes retornem voluntariamente para seus países e aumento na restrição de imigrantes.

As medidas espanholas estão em consonância com a preocupação de diversos países europeus com o problema da imigração.

Nesta quinta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy - que está assumindo também a presidência da União Européia - disse que a Europa precisa controlar a entrada de trabalhadores de fora do continente.

A Espanha é um bom país para se emigrar? A Espanha precisa de imigração?
Precisa-se de imigrantes na Espanha, mas não universalmente. A Espanha pode precisar de médicos, pode precisar de enfermeiras, pode precisar de determinadas especialidades.

O que é complicado hoje é que uma pessoa venha à Espanha e possa encontrar uma ampla oferta de trabalho aqui.

Se fala em "fluxos migratórios" e em "avalanches", termos que soam mais como fenômenos climáticos do que de pessoas. Não lhe parece que a imigração está desumanizada?
Eu acredito que a imigração tem uma origem fundamentalmente econômica, porque senão estaríamos falando de mobilidade. Ou seja, as pessoas migram porque não conseguem ver um futuro imediato, e isso que leva uma pessoa a tomar uma decisão às vezes contra a própria vontade.

A política de retorno é um pouco para aplacar as cifras de desemprego, que estão aumentando na Espanha. No entanto, surpreende a quantidade de ofícios e profissões que precisam ser preenchidas com estrangeiros.

O direito de retorno precisa ser visto como uma oportunidade a mais, e não como uma obrigação. Um imigrante que se encontra sem emprego tem de início as mesmas condições que um espanhol.

Mas, se todas as opções se esgotam, o que ele faz? Fica aqui sem nenhuma outra opção? Pois veja você, nós dizemos que existe uma opção que os espanhóis não têm. Você pode acumular e cobrar de uma só vez o seu seguro-desemprego (e voltar para seu país de origem).

No entanto, tanto o informe sobre finanças públicas da União como o Banco de Espanha falam da importância da imigração para reanimar a economia. Não seria melhor combater a imigração ilegal derrubando as barreiras burocráticas para regularização dos estrangeiros?
Se o informe do Banco da Espanha diz isso, taxativamente já digo ao presidente do Banco da Espanha que não estou de acordo com ele. Não podemos menosprezar 90% dos espanhóis. Nós também construímos este país.

O que ocorre é que em uma situação como a atual, o imigrante se move mais rápido, porque sua necessidade é maior. Pode ser que nesta situação, muitos imigrantes sejam os primeiros que acabem se colocando nos poucos ou muitos postos de trabalho que se abrem.

Com as atuais políticas de retorno voluntário e involuntário, a Espanha quer passar a mensagem de que não é a terra prometida?
A Espanha não é o paraíso. A Espanha enfrenta hoje uma situação de dificuldades econômicas importantes. Atualmente, muita gente está perdendo seus empregos e os primeiros a serem afetados são os imigrantes.

O índice de desemprego entre os imigrantes está em 15%, enquanto a taxa global de desemprego está em 9,8%. Mas isso não quer dizer que esta situação perdurará indefinidamente.

O que eu diria a uma pessoa de outro país é que este não é o melhor momento para emigrar para a Espanha, mas que não descarte ir para a Espanha.

A América Latina qualificou de "xenófobas" estas políticas de retorno involuntário e lembra a ajuda que deram a milhões de europeus que no passado fugiram da Europa para buscar uma melhor qualidade de vida. Cabe a comparação?
Eu acredito que evidentemente na Europa tenham sido criadas algumas políticas que por deferência não vou citar, que acarretaram em discursos muito alarmistas e com o tom de criminalizar o diferente por ser diferente.

Eu entendo perfeitamente que um governo latino-americano e que um latino-americano, ao escutar isso de um europeu, se sentirá ofendido. Mas nem na Espanha nem na Europa, há a intenção de criminalizar a imigração. A Espanha muito menos. Nós não seguiremos as políticas de dureza que às vezes se desprendem de outros discursos europeus.

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