O ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, afirmou nesta terça-feira, após um encontro com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que seu país está disposto a receber alguns detentos da base militar americana de Guantánamo, em Cuba.

"A Espanha está disposta a acolher alguns detentos de Guantánamo sempre e quando as condições jurídicas forem aceitáveis", disse Moratinos após uma reunião de cerca de 45 minutos com Hillary, segundo a rede de rádio e TV espanhola RTVE .

Segundo ele, não foi discutida a quantidade de prisioneiros que a Espanha poderia receber, mas que os governos dos dois países analisarão a questão "caso a caso".

"Nosso país está disposto a colaborar com a solução para esta tragédia humana. Guantánamo é um anacronismo histórico", afirmou.

O campo de prisioneiros da base militar americana de Guantánamo abriga cerca de 250 detentos suspeitos de "terrorismo". Muitos deles estão presos sem nenhuma acusação formal.

No último dia 22 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou um decreto que ordena o fechamento do campo de prisioneiros no prazo de um ano.

Ele também ordenou uma revisão dos tribunais militares da base e baniu métodos de interrogatório que entidades de defesa dos direitos humanos classificam como "tortura".

Entretanto, há ainda muitas dúvidas a respeito dos lugares para onde os detentos podem ser transferidos após o fechamento do campo.

Entre os prisioneiros estão alguns considerados "perigosos", incluindo o homem suspeito de ser um dos mentores dos atentados contra os EUA de 11 de setembro de 2001, Khalid Sheikh Mohammed, e outros supostos integrantes da Al-Qaeda e do Talebã.

Alguns dos detentos devem ir à julgamento, mas há preocupações a respeito do destino de 60 que já foram absolvidos.

Alguns deles precisariam ser transferidos para outros países, já que poderiam ser perseguidos em seus países de origem.

Moratinos também afirmou que, após a posse de Obama, "uma nova etapa" nas relações entre Espanha e Estados Unidos deve ter início.

"Posso afirmar que começa uma nova etapa das relações entre Estados Unidos e Espanha, no sentido de termos um maior compromisso de trabalhar juntos, de reforçar as relações e fazer as relações mais intensas e frutíferas", disse o ministro, segundo a edição online do jornal espanhol ABC.

As relações entre os dois países passaram por um momento de distanciamento após a eleição do primeiro-ministro socialista espanhol José Luiz Rodríguez Zapatero, em março de 2004.

Zapatero cumpriu sua promessa de campanha de retirar do Iraque cerca de 1.300 soldados espanhóis que serviam na coalizão liderada pelos Estados Unidos. 

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