Esgotos aquecem piscinas em cidade próxima de Paris

Luis Miguel Pascual. Paris, 4 fev (EFE).- A água de duchas e banheiras, de lavadoras e máquinas de lavar pratos chega aos esgotos das cidades a uma temperatura média entre 15º e 20º centígrados, uma energia geralmente desperdiçada, mas um sistema inovador sugere aproveitar o recurso hídrico para aquecer piscinas em um município perto de Paris.

EFE |

Levallois-Perret, situado nos arredores da capital francesa, é pioneiro na França no aproveitamento da energia dos esgotos, com o qual pretende economizar na conta de energia elétrica e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

"Quando soube a quantidade de calor perdida nos esgotos decidi que tinha de fazer alguma coisa", afirma à Agência Efe a vereadora do Meio Ambiente da localidade, Sophie Deschiens, que não esconde querer tornar sua cidade referência no aproveitamento de energias limpas.

Deschiens percorreu o mundo para conhecer as tecnologias de aproveitamento dos recursos ecológicos e descobriu um sistema que permitia recuperar o calor dos esgotos.

"Não duvidei um instante, tínhamos que tê-lo em nossa cidade", assegura a vereadora da localidade.

Para começar, decidiram aplicar o sistema para aquecer o novo centro aquático que está sendo construído na cidade, dotado de três piscinas, saunas, jacuzzi e outras instalações.

Em meados deste mês, o sistema estará pronto e começará a aproveitar o calor dos esgotos.

A empresa Lyonnaise des Eaux ficou encarregada de iniciar o projeto porque, além disso, é a responsável pelo tratamento de água e esgoto de Levallois-Perret.

Os analistas calcularam que os lares consomem cada vez menos água, porém cresce o uso de água aquecida, o que facilita o aproveitamento desta fonte de energia.

A ideia é manter durante todo o ano a água das piscinas a uma temperatura de 28 º com a ajuda do calor recuperado dos esgotos.

O princípio é simples. Uma série de placas de aço inoxidável é fixada no fundo das tubulações de esgotos equipadas com um líquido especial que capta o calor.

"É preciso que haja um volume de água residual mínimo para que o sistema funcione, mas tivemos a sorte que os esgotos que passam próximo do parque aquático atendiam as necessidades", explica.

Uma distância de 80 metros separa a local onde estão as placas da caldeira que aquece o parque aquático.

Com este sistema, Levallois-Perret pretende reduzir em 24% os gastos com energia elétrica do parque e 66% as emissões de gases do efeito estufa.

Deschiens está convencida que o sistema é rentável no longo prazo e espera amortizar o investimento em dez anos.

A cidade gastou 474 mil euros para instalar o sistema que recupera o calor da água e do esgoto.

Quanto o projeto estiver funcionando a pleno a economia na conta de energia elétrica pode alcançar os 48 mil euros anuais, calcula a vereadora.

Para Deschiens, o novo sistema faz parte da aposta da cidade por energias limpas. Há anos, o sistema de calefação da cidade recebe energia gerada no tratamento de lixo.

Este sistema, que funciona desde 1989, vai utilizar a energia que não for utilizada no aquecimento do centro aquático.

O novo projeto apresentará a energia equivalente a cerca de 800 megawatts dos 3.600 megawatts que consome anualmente o parque de águas.

O sistema de recuperação do calor da águas e do esgoto chamou a atenção de outras cidades do país.

Valenciennes e Bordeaux enviaram os responsáveis ambientais para obterem informações das instalações de Levallois-Perret.

"Se outras cidades querem copiar o sistema, estamos felizes.

Nunca ninguém se interessou tanto por nossos esgotos", brinca Deschiens. EFE lmpg/dm

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