Esforços para socorrer Haiti são redobrados

Bogotá, 15 jan (EFE).- O mundo redobrou nesta quinta-feira seus esforços para socorrer os sobreviventes do terremoto no Haiti, que deixou dezenas de milhares de mortos e desabrigados, apesar do caos vivido pelo país também na hora de receber tal ajuda.

EFE |

A Cruz Vermelha haitiana informou que entre 45 mil e 50 mil pessoas podem ter perecido como consequência do terremoto de 7 graus na escala Richter e que há três milhões de afetados, de uma população total de 8,9 milhões.

Um cálculo que, dolorosamente, pouco a pouco vai tomando forma.

"Nas últimas horas foram enterrados sete mil haitianos", disse o presidente do Conselho de Ministros do Peru, Javier Velásquez Quesquén, número que lhe foi passado pelos presidentes do Haiti, René Préval, e da República Dominicana, Leonel Fernández.

Fernández, que foi o primeiro presidente a visitar o Haiti (nação com a qual seu país compartilha o território da Hispaniola), constatou pessoalmente nesta quinta-feira parte da magnitude da tragédia e assegurou que está na hora de o mundo ajudar de maneira permanente a república caribenha.

Após sobrevoar Porto Príncipe, o governante dominicano ressaltou em entrevista coletiva a necessidade de estabelecer medidas sanitárias preventivas, já que 48 horas depois do tremor os cadáveres começam a se descompor.

No entanto, os Governos e organismos como a ONU deixaram claro que a prioridade neste momento continua sendo encontrar e resgatar os sobreviventes da tragédia.

"Há gente que continua viva sob os escombros e devemos salvar todas as vidas que pudermos", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Uma das pessoas que conseguiu ser salvo graças aos esforços das equipes de resgate foi o agente de segurança estoniano Tarmo Joveer, de 38 anos, tirado nesta quinta de entre os escombros, informou Ban, reiterando sua confiança em que essas situações se repitam nos próximos dias.

O líder da ONU destacou que essas equipes de resgate, que começam a chegar ao Haiti vindas de múltiplos países, "tentam encontrar mais sobreviventes. As primeiras 72 horas são essenciais para encontrar muitos desaparecidos, tal como a experiência mostrou em desastres anteriores".

França, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Japão, China, Indonésia, México, Cuba e Venezuela, entre outros países, enviaram equipes de socorro e resgate, assim como material de primeira necessidade e alimentos para ajudar os haitianos.

Os Estados Unidos, por sua vez, anunciaram há poucas horas o envio imediato de mais de 250 profissionais da saúde e a possível viagem de mais de 12 mil "nos próximos dias" para ajudar nas tarefas humanitárias, pessoal que se unirá às equipes já enviadas por Washington a esse país.

No entanto, apesar da vontade mundial de ajuda, o caos que vive grande parte do país mais pobre da América atingiu também as operações aéreas, o que está dificultando a chegada de ajuda.

Esta manhã 10 aviões civis dos EUA e um militar estiveram sobrevoando a capital durante mais de duas horas à espera de poder aterrissar, mas "alguns tiveram que retornar a Santo Domingo e Miami" porque não havia pistas disponíveis no terminal.

A Administração Federal de Aviação americana (FAA, na sigla em inglês) informou que suspendeu os voos civis para o Haiti até às 8h local desta sexta-feira (11h de Brasília), à espera de que se solucione a situação no aeroporto de Porto Príncipe, onde também o combustível para reabastecimento começa a ficar escasso.

Um avião panamenho com 32 especialistas e cerca de 34 toneladas de alimentos também teve que ser desviado para Santo Domingo, porque ninguém autorizou sua aterrissagem em Porto Príncipe, Tal situação já tinha sido prevista pelo presidente dominicano, que pôs à disposição do Haiti os aeroportos e portos de seu país para transportar a ajuda humanitária procedente do estrangeiro.

À espera de superar estes problemas de logística, o subsecretário-geral de Assuntos Humanitários da ONU, John Holmes, fará nesta sexta-feira um apelo humanitário de emergência para assistir a população atingida.

Holmes explicou que a quantidade que as Nações Unidas pedirá à comunidade internacional de doadores ainda não está decidida.

Por enquanto, tanto os EUA como o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciaram que contribuirão com uma ajuda inicial de US$ 100 milhões cada um, e o Grupo dos Vinte se comprometeu a dar "de forma imediata" assistência econômica e em dinheiro.

Mas a assistência não só vem de países e organizações, como demonstrou o anúncio realizado nesta quinta-feira pela Cruz Vermelha na América, que arrecadou em apenas 24 horas US$ 3 milhões mediante mensagens de celulares de US$ 10 cada uma.

Holmes reconheceu que "a situação no terreno é extremamente preocupante" e alertou sobre a grande escala do desastre e dos possíveis números finais de pessoas mortas.

Sobre as vítimas fatais confirmadas, o próprio Ban assegurou que já são 36 os mortos entre seu pessoal alocado na Missão de Estabilização no Haiti (Minustah), da qual continuam desaparecidas cerca de 150 pessoas.

Também cresceu o número de vítimas brasileiras no terremoto, de 12 para 15 (14 militares da ONU e a ativista de direitos humanos Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica,), aos quais na América Latina se somam um argentino, uma mexicana e um peruano, estes dois últimos confirmados nesta quinta-feira por seus respectivos Governos.

Da região também se confirmou que há pelo menos 32 desaparecidos: 17 salvadorenhos, quatro brasileiros, quatro costarriquenhos, duas chilenas, dois panamenhos, dois guatemaltecos e um uruguaio.

eat/ma

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