Esforços para ajudar vítimas se intensificam no Haiti

Os esforços para fornecer alimentos, água e remédios se intensificaram nesta sexta-feira no Haiti, com 25 equipes de resgate vasculhando escolas, casas e hotéis destruídos em busca de sobreviventes 72 horas depois do terremoto que devastou a capital do país, Porto Príncipe, na terça-feira. Grupos de ajuda humanitária disseram ter conseguido distribuir alimentos e cobertas para milhares de pessoas.

iG São Paulo |

A intensificação dos trabalhos ajudou as equipes a conseguir retirar várias vítimas dos escombros nesta sexta-feira, quando se completaram 72 horas desde o desastre, espaço de tempo considerado limite para achar sobreviventes . Durante a madrugada, oito pessoas foram resgatadas do Hotel Montana, um popular destino turístico de Porto Príncipe.

Nesta sexta-feira também chegou ao país o porta-aviões USS Carl Vinson , equipado com helicópteros, leitos hospitalares e salas cirúrgicas para atender as vítimas. O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, almirante Mike Mullen, disse, em Washington, que a prioridade é distribuir água e alimentos o mais rapidamente possível, para "evitar que, por causa do desespero do povo, a segurança entre colapso ou haja um surto de violência".

Os Estados Unidos enviarão mais navios de guerra, helicópteros e equipamentos militares ao Haiti nos próximos dias, o que fará o total de soldados americanos no país passar de 1.000 para 10.000 até segunda-feira , informou Mullen.

AP

Menina espera por atendimento médico em frente de hospital danificado em Porto Príncipe

Menina espera por atendimento médico em Porto Príncipe

À espera de atendimento

Mas apesar da intensificação dos esforços, os feridos no terremoto continuam morrendo nos hospitais pela lentidão na chegada de remédios e alimentos. Segundo os responsáveis de vários hospitais, os centros médicos necessitam de coisas básicas como água potável, eletricidade, remédios, soro, anestesia ou alimentos.

Os voos com ajuda humanitária estão chegando desde quinta-feira à noite com intervalos de 15 minutos, disse o diretor de Aviação Civil haitiano, Pierre Jean Lemerque. A infraestrutura bastante danificada do país, porém, vem dificultando a distribuição dos suprimentos. Equipes assistenciais até buscam rotas alternativas para prestar ajuda .

Milhares precisam ser operadas imediatamente e esperam sua vez em meio ao caos que reina na capital haitiana, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Haiti.

Segundo a organização, os ferimentos mais frequentes dos pacientes são "fraturas abertas", que requerem cirurgia, e queimaduras graves. Na quinta-feira, a MSF conseguiu operar mais de 100 pessoas, "mas
há milhares esperando", disse o chefe da missão do MSF no Haiti, Stefano Zannini.

Desde que ocorreu o terremoto, as equipes da MSF conseguiram tratar e estabilizar cerca de 1,5 mil feridos em suas instalações e em hospitais de campanha, informou. Também começaram a realizar operações cirúrgicas de emergência no hospital Choscal do bairro de Cité Soleil, um dos mais pobres de Porto Príncipe.

Os feridos estão sendo transferidos para os hospitais em carros, motos, carrinhos de mãos e todo tipo de veículo, disse.

Reuters
Menino é carregado em maca em hospital improvisado

Menino é carregado em maca em hospital improvisado

As ameaças aos sobreviventes

Segundo o subdiretor da Organização Panamericana da Saúde (OPS), Jon Andrus, uma das ameaças mais graves à saúde dos sobreviventes são as doenças infecciosas gastrintestinais, doenças respiratórias e doenças virais. "Os surtos de diarreia são um grande problema e é por isso que a água potável tem tanta prioridade", acrescentou.

O subdiretor da OPS disse que a existência de milhares de corpos sob prédios destruídos em estado de putrefação não é a ameaça mais grave à saúde pública.

"Os corpos, por si só, não são um perigo significativo para um surto de epidemia", disse Andrus. "A ideia que devem ser recolhidos imediatamente e sepultados em fossas coletivas para evitar epidemias não se sustenta na experiência em catástrofes desse tipo", indicou.

*Com informações de NYT, EFE e AFP

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