RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - Uma importante autoridade palestina disse na terça-feira que os esforços dos Estados Unidos para promover conversações de paz indiretas com Israel devem fracassar, a menos que Washington garanta a paralisação completa das obras israelenses nos assentamentos. Nabil Abu Rdainah, assessor do presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que uma reunião entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Washington na terça-feira precisa produzir como resultado o compromisso israelense e garantias americanas para congelar os assentamentos.

"De outra forma, os esforços americanos permanecem sob risco", disse ele à Reuters.

Na segunda-feira, Netanyahu reiterou o comprometimento de Israel com as obras em Jerusalém Oriental e em áreas vizinhas da Cisjordânia ocupada anexadas pelo Estado judaico à municipalidade expandida de Jerusalém - medida que não obteve reconhecimento internacional.

"Jerusalém não é um assentamento. É a nossa capital", disse ele em Washington. Os EUA já disseram que as obras de assentamento, política de sucessivos governos israelenses, está colocando em risco seus esforços de avançar na paz do Oriente Médio.

Abu Rdainah disse que as últimas declarações de Netanyahu não ajudariam os esforços norte-americanos. Sob pressão dos EUA e dos aliados árabes, os palestinos concordaram em conversar indiretamente com Israel. Não há negociações desde o final de 2008.

No entanto, o anúncio feito por Israel de planos para novas casas de assentamento em Jerusalém Oriental, tomada junto com Cisjordânia e Faixa de Gaza em 1967, enfureceu os palestinos, que agora querem garantias de um congelamento total nas obras de assentamentos.

"O que Netanyahu disse não ajuda os esforços americanos e não servirá aos esforços do governo americano para promover as negociações indiretas entre as partes", disse Abu Rdainah.

"Jerusalém Oriental é a capital do Estado da Palestina e é a única forma de assinar qualquer acordo de paz em qualquer tempo. As declarações de Netanyahu são uma evidência clara de que ele não quer a volta de nenhuma negociação séria."

(Reportagem de Ali Sawafta)

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