Escritora francesa defende a recusa do Brasil em extraditar Battisti

A escritora francesa Fred Vargas defendeu a recusa do Brasil de extraditar Cesare Battisti, em uma entrevista ao jornal Le Monde, destacando que pela primeira vez em cinco anos um país concluiu que o processo na Itália do ex-ativista está viciado.

AFP |

"Pela primeira vez em cinco anos, um ministro da justiça, o do Brasil, teve tempo de examinar documentos irrefutáveis, e concluiu que o processo italiano que havia condenado Battisti havia sido viciado", disse nesta entrevista, que foi publicado nesta sexta-feira.

"Muitos elementos permitiam duvidar da culpabilidade de Battisti: audiência de prova material, ausência de testemunha ocular confiável, uso exclusivo de testemunhos de arrependidos", continuou a escritora, que assumiu a liderança no momento de apoio a Cesare Battisti.

Ex-responsável do grupo de "Proletários armados para o comunismo", Battisti foi condenado à reclusão por toda a vida por quatro assassinados cometidos durante os anos de chumbo do terrorismo, no fim dos anos 1970 na Itália, que ele sempre negou.

"Eu nunca defendi a luta armada, de forma alguma e é ofensivo ouvir dizer que defender Battisti, é ignorar as vítimas", afirma Fred Vargas, que apoio o ex-ativista porque considera que "seu processo foi falseado do início ao fim".

Refugiado nos anos 1980 na França, onde ele se tornou autor de romances policiais, Cesare Battisti fugiu em agosto de 2004 para escapar à extradição para a Itália. A decisão do Brasil de conceder-lhe o estatuto de refugiado político é vivamente contestada pela Itália.

dch/lm

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