Paris, 15 abr (EFE).- O escritor colombiano Jorge Botero, próximo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não acredita que Ingrid Betancourt, em poder da guerrilha há mais de seis anos, esteja tão grave como dizem.

Em entrevista publicada hoje pelo diário francês "Le Parisien", Botero assegurou que recomendou às Farc que dessem remédios e livros à colombo-francesa.

Próximo à guerrilha, Botero se reuniu com o número dois das Farc, Raúl Reyes, duas semanas antes de ele ser morto em uma emboscada do Exército colombiano no dia 1ºde março.

O escritor assinalou que Reyes "sabia que Ingrid estava deprimida" e que lhe disseram que ela "tentou escapar em várias ocasiões e que as relações com a refém eram difíceis".

"Também me reuni com (o dirigente guerrilheiro) Ivan Márquez (...) disse a ele que as más condições de detenção de Ingrid eram prejudiciais para a imagem da guerrilha. E que ela deveria receber remédios e livros", afirmou.

Botero se mostrou convencido de que as Farc escutaram sua recomendação e que a situação de Betancourt "melhorou".

"Na minha opinião, não está em um estado tão grave como dizem", assegurou.

O escritor louvou os esforços da França para tentar libertar a refém, em particular a missão médica enviada à Colômbia recentemente, mas assinalou que apesar de "sua boa fé", Paris "caiu em uma armadilha" do Governo colombiano, que foi "quem deu a entender que Betancourt agonizava".

Botero assegurou que a morte de Reyes foi "um forte golpe" para a negociação, porque ele era "o principal contato das Farc com o mundo exterior".

Segundo o escritor, a única solução ao conflito passa pela "negociação política e a pressão internacional", e afirmou que esta não será possível sem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. EFE lmpg/mh

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