Roma, 3 fev (EFE).- O escritor italiano Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia após escrever o livro Gomorra, afirma com resignação que sabe muito bem que cedo ou tarde pagará por ter contado em sua obra as atividades ilegais da Camorra napolitana.

"O que me mantém com vida, minha verdadeira proteção, é estar atento ao que acontece comigo e ao meu redor. Mas sei muito bem que um dia me farão pagar. Só é preciso saber como e quando", assegurou Saviano em entrevista que a emissora de TV "Euronews" exibirá amanhã.

"Não vão agir enquanto eu tiver muita atenção, mas vão tentar de todos os modos me destruir e me deslegitimar", acrescentou.

Segundo o escritor, a crise econômica não atinge a Camorra, que tem liquidez e está entrando nos grandes bancos internacionais que, "não tendo liquidez, aceitam dinheiro sujo".

"Entra tanto dinheiro sujo nos bancos que a Camorra determinará a política destes bancos quando eles se recuperarem. A Camorra está hipotecando o futuro de nosso continente", disse Saviano.

"A Itália não pensa na máfia, pensa em outra coisa, no trabalho precário, nas escutas telefônicas. A Itália acredita que o problema mafioso é um dos problemas, mas não o problema", afirmou.

O escritor confessa que se pudesse não escreveria "Gomorra", que deu origem a filme de mesmo nome, e que já não tem "qualquer simpatia" por este livro. EFE mcs/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.