O escritor britânico Frederick Forsyth foi uma testemunha indireta dos eventos que, na segunda-feira passada, resultaram no assassinato do presidente de Guiné-Bissau, país onde acabara de desembarcar para fazer pesquisas para seu próximo livro, informou a BBC.

O autor de "O Dia do Chacal", que foi acordado na madrugada por uma explosão em um hotel de Bissau, a capital do país africano, pouco depois de chegar ao local, relatou a longa agonia do presidente João Bernardo Vieira.

Vieira foi assassinado por militares no que parece ter sido uma vingança pela morte, horas antes, do comandante do Estado-Maior, general Tagme Na Waie.

"Eles foram à residência dele, jogaram uma bomba pela janela que o feriu, mas não matou", contou à BBC na terça-feira.

"O teto desabou e isso o feriu, mas também não o matou".

"Ele saiu com dificuldades dos escombros e atiraram. Mas ele não morreu depois disso. Eles o levaram para a casa da sogra dele e o cortaram em pedaços com machados", relatou à emissora pública.

"Posso garantir a vocês que não tenho nada a ver com o golpe de Estado", brincou Forsyth, que completou a piada ao admitir ter financiado um na Guiné Equatorial em 1973. Seu livro de 1974 "Cães de Guerra" ("The Dogs of War") conta uma tentativa frustrada de derrubada de governo em um país africano fictício.

O autor está retido em Bissau temporariamente. Ele tinha um voo programado para esta quarta-feira, mas o aeroporto da cidade está fechado.

No entanto, ele pretende aproveitar o ocorrido e deve usar a história do magnicídio de Vieira em sua próxima obra.

"O que eu estava pesquisando não tinha nada a ver com matar generais ou matar presidentes. Mas é uma cobertura extra no bolo, então eu provavelmente usarei, eventualmente, no livro".

Um presidente interino, Raimundo Pereira, tomou posse na terça-feira e está em busca de apoio internacional para estabilizar a nação depois do assassinato brutal do antecessor.

mt/fp

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