Escolha do novo presidente do Paquistão é convocada para 6 de setembro

Islamabad, 22 ago (EFE).- A Comissão Eleitoral do Paquistão convocou hoje a escolha do sucessor de Pervez Musharraf na Presidência do país para o dia 6 de setembro, enquanto as divergências entre os membros do Governo persistem e nenhum partido designou candidato.

EFE |

O Partido Popular do Paquistão (PPP), que lidera a coalizão de Governo, reuniu hoje a sua direção para escolher um candidato, mas depois anunciou que seu líder, o viúvo de Benazir Bhutto, Asif Zardari, será o encarregado de designá-lo.

Os membros de seu partido, no entanto, lhe pediram para que ele próprio fosse candidato, e Zardari decidirá em 24 horas se aceita ou não candidatar-se à Presidência do país.

"A direção pediu a Zardari que seja o candidato, depositou sua confiança nele", explicou à Agência Efe o coordenador de imprensa do PPP, Syed Wasif.

"Zardari disse que necessita de tempo para pensar e a direção lhe concedeu toda a autoridade para tomar a decisão", acrescentou.

O presidente é votado por um colégio eleitoral formado pelos membros do Parlamento e do Senado nacionais e das quatro assembléias provinciais do país.

Os analistas consideram imprescindível que o PPP pactue um candidato com a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N) de Nawaz Sharif, seu principal aliado no Governo e segunda força política do país.

O prazo para apresentar candidaturas expira no próximo dia 26, segundo anunciou a Comissão Eleitoral.

A Liga do ex-primeiro-ministro Sharif reafirmou hoje que prefere que o presidente seja "neutro" e eleito "de maneira pactuada".

"Nós queremos que o futuro presidente seja pactuado por todos os membros da coalizão e que seja uma pessoa neutra, sem ligação partidária, e se possível de uma província pequena (em população) como Baluchistão", explicou à Efe o porta-voz do PML-N, Sidiq Farouk.

A estagnação que se seguiu à renúncia de Musharraf na segunda-feira passada, após quase nove anos na Presidência, revela claramente as profundas diferenças que separam o PPP e o PML-N, que agora carecem de um "inimigo comum".

Outro ponto de discórdia é a restituição dos cargos dos juízes expulsos por Musharraf, quando ele impôs o estado de exceção em 3 de novembro de 2007, acusando-os de ingerência em assuntos do Governo.

Entre os expulsos, estava o então presidente do Supremo, Iftikhar Chaudhry, que levava um recurso contra a reeleição de Musharraf para um segundo mandato presidencial.

Mas o Supremo também tinha um processo contra a anistia que Musharraf concedeu a Bhutto e Zardari e que permitiu o retorno deles do exílio em outubro de 2007.

O PPP mostrou-se reticente a restituir todos os juízes, uma decisão que o PML-N exige como condição para permanecer no Governo, embora o novo "ultimato", que expiraria hoje, tenha sido prorrogado, uma prática habitual na política do Paquistão.

Sharif anunciou hoje, em entrevista coletiva, que na próxima segunda-feira será apresentada uma resolução no Parlamento - fruto de um novo compromisso entre o PML-N e o PPP - para restituir os juízes a seus cargos.

Sharif disse que, após ser debatida, a resolução terá que estar aprovada na próxima quarta-feira, "que deve ser o dia da restauração dos juízes", segundo a agência oficial "APP".

Na entrevista coletiva, compareceram Sharif e os dirigentes dos dois partidos minoritários do Governo, mas nenhum do PPP.

Segundo sua versão, a resolução será redigida por um comitê formado por membros do partido de Zardari e do PML-N.

No último dia 7, os dois partidos tinham se comprometido a devolver aos juízes os seus cargos "imediatamente depois" que Musharraf deixasse o poder.

O porta-voz do PML-N disse à Efe que a resolução pode ser acertada "em uma hora", mas evitou responder se o PPP está totalmente de acordo com os termos exigidos por Sharif.

Segundo informações passadas à imprensa, o PPP teria tentado excluir Chaudhry da resolução.

"Não aceitaremos nenhuma fórmula 'menos um'. É o acordo que reivindicamos sempre", declarou o porta-voz, que acrescentou que o PPP "não disse que não estava de acordo" durante os contatos estabelecidos através de seus aliados e "mediadores". EFE igb/ab/gs

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