Escolha de candidatos para próxima eleição tem baixa participação no Uruguai

Montevidéu, 28 jun (EFE).- As eleições internas para designar os candidatos únicos dos partidos uruguaios para as eleições gerais do dia 25 de outubro concluíram hoje com uma participação muito menor do que esperada.

EFE |

Os 6.917 colégios eleitorais abriram às 8h e ficaram abertos até as 19h30, embora a Corte Eleitoral tenha estabelecido um período de graça de uma hora para os possíveis eleitores que não tivessem conseguido depositar seu voto.

Uma hora antes do fechamento, a participação era de 37%, embora, segundo disse à Agência Efe o ministro da Corte Eleitoral Edgardo Martínez Zimarioff, a projeção é que não supere 44%.

A votação neste pleito era voluntária, ao contrário do que ocorrerá em outubro, quando será obrigatória a participação nas eleições nacionais.

A partir das 20h30 poderão ser conhecidas as primeiras pesquisas de boca-de-urna que apontarão os possíveis ganhadores destas eleições, muito importantes para estabelecer as cúpulas políticas que os partidos levarão para as eleições de outubro.

Segundo informou a Corte Eleitoral, os eleitores mais jovens superaram os mais velhos na afluência às urnas, um fenômeno "muito interessante" e "muito importante", como assinalou Martínez Zimarioff.

O ministro do Interior, Jorge Bruni, destacou à imprensa "a normalidade" do dia eleitoral, sem incidentes consideráveis.

No entanto, houve alguns problemas na abertura de vários colégios devido à ausência de integrantes das mesas e também se denunciou a escassez de cédulas de alguns dos pré-candidatos.

Cerca de 18 mil policiais e cinco mil militares participaram da segurança destas eleições, para as quais o Governo decretou uma proibição na venda de álcool a fim de evitar problemas.

Dezessete pré-candidatos de oito partidos concorreram nestas eleições internas Um dos eleitores mais madrugadores foi o presidente do país, Tabaré Vázquez, que não poderá legalmente se apresentar para a reeleição em outubro, mas cuja sombra foi permanente na campanha e pré-campanha destas eleições internas devido a seu apoio a Danilo Astori, um dos pré-candidatos do governante Frente Ampla.

Após depositar seu voto, Vázquez aproveitou para comunicar que já deu instruções para a criação de "comissões especiais" para enfrentar "a transição" de um Governo ao outro "de maneira séria e profunda" após as eleições do dia 25 de outubro.

Vázquez, socialista e primeiro presidente de esquerda na história do Uruguai, também reiterou que em breve os ministros de seu Executivo que queiram fazer campanha para as eleições gerais ou se apresentarem a cargos eletivos deverão renunciar a seu cargo.

"As tarefas de exercício de Governo e as tarefas eleitorais não devem ser sobrepostas", disse.

Por parte da coalizão no Governo eram três os pré-candidatos que contendiam nestas eleições: os senadores José Mujica e Danilo Astori, e o intendente do Departamento de Canelones, Marcos Carámbula.

Deles, e apesar do apoio de Vázquez a Astori, é "Pepe" Mujica, ex-ministro de Pecuária e antigo dirigente guerrilheiro tupamaro, que maior apoio recebeu nas pesquisas para estas eleições.

De todos os pré-candidatos, governistas e da oposição, Mujica é também o político com maior respaldo da população.

A principal força opositora, o Partido Nacional, apresentou ao pleito internos o ex-presidente Luis Alberto Lacalle e o senador Jorge Larrañaga, a quem as últimas pesquisas situavam muito atrás do ex-líder em intenções de voto.

Larrañaga comentou a baixa participação logo após os colégios eleitorais fecharem: "Foi uma votação que não era a prevista pelos politólogos".

"É culpa nossa, dos políticos, porque muitas vezes estamos mais interessados nas pesquisas que em gerar debates sobre os problemas que os uruguaios têm", afirmou.

Pelo também opositor Partido Colorado, participaram quatro pré-candidatos, mas são o ex-vice-presidente Luis Hierro López, e Pedro Bordaberry que mais destacam, com a balança inclinada decididamente para este nas últimas pesquisas.

O Partido Colorado ocupou o Governo no Uruguai durante 150 anos, mas teve uma queda vertiginosa nas últimas eleições nacionais de 2004, quando só teve o apoio de 8% dos eleitores.

No entanto, devido à paridade entre a governante coalizão de esquerda Frente Ampla e o Partido Nacional, os votos dos colorados poderiam ser chave em outubro para definir o vencedor em um eventual segundo turno. EFE jas/ma

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