Escolas nômades combatem o analfabetismo nas selvas da Indonésia

Juan Palop. Jacarta, 17 abr (EFE).- Uma nova batalha é travada nas selvas da Indonésia: a luta contra o analfabetismo, onde uma ONG leva professores a tribos nômades para ensinar às crianças os preceitos básicos necessários ao mundo moderno sem descuidar dos seus costumes.

EFE |

Descalço e de cócoras o pequeno Penguwar, da minoria rimba, escreve lentamente em um quadro-negro improvisado apoiado sobre um tronco caído no limite do pequeno clarão da floresta onde sua comunidade acampa, na ilha de Sumatra.

Junto a ele, nada de alunos, carteiras ou paredes, apenas a professora, que o observa com atenção, e a selva tropical.

"Não temos horários, nem compromissos, nem séries. Também não temos uniformes. Sequer edifícios. Nosso sistema educacional é completamente diferente ao dos colégios normais", explica a diretora de comunicação da ONG Sokola, Aditya Dipta Anindita à Agência Efe.

Os professores se integram na vida diária das comunidades tradicionais, que seguem através da selva, aprendem seu idioma e sua cultura e estão disponíveis permanentemente para que seus alunos, quando quiserem e puderem, se aproximem e aprendam com eles.

"É duro, mas divertido", reconhece Anindita, que explica que a cada três semanas os professores vão ao exterior para descansar. Ela acrescenta que a maioria, inclusive, sofreu malária por viver na selva.

Par Anindita, só assim, adaptando-se aos costumes locais, é possível chegar com sucesso as mais de 40 milhões de pessoas que vivem segundo costumes ancestrais na Indonésia, e atacar os últimos redutos de analfabetismo do país onde 8% da população não sabe ler e escrever.

A chave para Sokola é um plano de estudos específico em cada aldeia que consiga vencer as reservas dos adultos, que muitas vezes acham o colégio inútil, caro e até pernicioso, além de trazer contribuições úteis para os estudantes.

"Adaptamos o currículo totalmente a suas necessidades. As aulas são funcionais, de sobrevivência. A escola deve ser útil para as suas vidas. Ensinamos o básico; ler, escrever e fazer contas. Mas também como se organizar melhor, como melhorar suas vidas", afirma a professora.

As aulas são divididas em agricultura de subsistência nas selvas de Sumatra, em lugares onde a caça e a coleta não bastavam, e noções de direito para aqueles que viam seu território ameaçado por empresas madeireiras e plantações.

Por outro lado, nos subúrbios de Makassar, na capital da ilha de Célebes, os professores preferiram enfatizar o ensino de inglês, informática e as aulas de artesanato.

"Não tratamos de resolver seus problemas, mas de capacitá-los para que eles mesmos sejam capazes de encontrar soluções", ressalta a porta-voz da Sokola, uma organização que em seus sete anos de vida já deu aulas para mais de mil de crianças em uma dezena de lugares.

Os jovens que tiveram aulas com os voluntários da Ong se tornaram cada vez mais imprescindíveis em suas aldeias. São eles que vão ao mercado fazer compras e que assessoram o chefe da aldeia quando eles precisam assinar um acordo com as autoridades locais ou povoados vizinhos.

Alguns deles, após vários anos seguidos deste tipo de educação alternativa, começaram a dar aulas a seus vizinhos.

"Nosso objetivo é estabelecer um programa educativo que se mantenha sozinho e que chegue um ponto em que não sejamos mais necessários. Assim poderíamos passar para outro povoado onde precisem da gente e seguir com nosso trabalho", afirma Anindita. EFE jpm/pb

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