Escassez de gasolina se intensifica e prejudica ajuda no Haiti

Genebra, 18 jan (EFE).- A escassez de gasolina no Haiti se torna mais intensa e é um obstáculo para as operações de ajuda humanitária nas áreas do desastre, disse hoje a ONU, que afirmou que já foram estabelecidas restrições.

EFE |

Segundo os dados mais recentes do o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, "o preço da gasolina aumentou até o equivalente a US$ 10 por galão" (3,8 litros).

Ontem, a ONU conseguiu trazer em caminhões-pipa de Santo Domingo, na vizinha República Dominicana, 10 mil galões de gasolina.

Outro problema que a assistência humanitária enfrenta é que o porto de Porto Príncipe continua sem uso desde o terremoto.

Embora o píer sul esteja intacto, a estrada de acesso está destruída, e espera-se que os consertos possam ser feitos ao longo desta semana.

O aeroporto de Porto Príncipe segue fortemente congestionado devido à avalanche de aviões com ajuda que chegam de todo o mundo, e também está congestionada a estrada que liga Santo Domingo a Porto Príncipe.

Fontes da ONU confirmaram que os comboios são enviados agora de Jimani à capital haitiana, coordenados e escoltados pela Defesa Civil dominicana e pela Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah).

Embora a distribuição de ajuda esteja acontecendo, continua muito limitado para as vítimas o acesso a abrigo, comida, água e assistência médica, e milhares de pessoas seguem em acampamentos improvisados nas praças da cidade.

As agências da ONU estabeleceram quatro novos pontos de distribuição de alimentos em Petionville, em dois estádios de futebol em Delmas e na praça do Campo de Marte, transformada em um gigantesco acampamento onde as pessoas estão abrigadas sob plásticos.

O Programa Mundial de Alimentos (PAM) já distribuiu até ontem biscoitos energéticos para 73 mil pessoas, mas a falta de gasolina, de caminhões e inclusive a insegurança prejudicam esta tarefa.

Outra necessidade urgente são as tendas de campanha, pois, frente às 4 mil já existentes no país, são necessárias pelo menos outras 20 mil.

Segundo a Organização Mundial das Migrações (OIM), que centraliza a ajuda referente a abrigo, foi decidio, junto com as autoridades haitianas, organizar um assentamento temporário para receber 100 mil pessoas, em um lugar ainda a ser definido.

Nas próximas semanas, o objetivo final é cobrir as necessidades de alojamento de 200 mil famílias, o que equivale a 1 milhão de pessoas.

Enquanto isso, a falta de pessoal médico continua impedindo a assistência a milhares de feridos.

Segundo a Ocha, além dos hospitais de Porto Príncipe, os da região fronteiriça da República Dominicana também já estão saturados, e os feridos começaram a ser reenviados a hospitais de outras cidades.

A Cruz Vermelha dominicana e a Universidade Autônoma de Santo Domingo estabeleceram um hospital de campo em Jimani, mas, em todos estes hospitais, falta pessoal, material médico e equipamentos.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. O Governo do país caribenho confirmou que pelo menos 70 mil corpos já foram enterrados.

Na quarta-feira passada, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, tinha falado em "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 15 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE vh/an

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