Escassez de alimentos faz população matar ladrões de comida

Harare, 18 fev (EFE).- A escassez de alimentos e a fome foram a causa da morte de pelo menos sete pessoas que foram surpreendidas roubando comida em diversos pontos do Zimbábue nas últimas semanas, informou a Polícia.

EFE |

"Estamos investigando sete homicídios no país supostamente provocados pelo roubo de alimentos, especialmente milho, de algumas fazendas", afirmou o porta-voz da Polícia, Wayne Bvudzijena, ao jornal oficial "Herald".

Quatro dos homicídios investigados aconteceram durante o mês de janeiro e os outros três em fevereiro.

Em um dos casos, nas proximidades de Harare, um ladrão de milho foi preso com arame farpado e morreu por causa dos ferimentos, e em outro, no distrito de Guruve, outra pessoa foi assassinada a machadadas.

Três crianças, de 7, 11 e 15 anos foram detidas na região de Wedza como suspeitos de baterem em uma mulher até a morte por supostamente ter roubado milho da horta de sua família.

"A Polícia zimbabuana deu um sério aviso aos agricultores de que não devem cumprir a justiça por suas próprias mãos", declarou Bvudzijena, que pediu que os ladrões surpreendidos em flagrante sejam entregues à autoridades.

O porta-voz policial também pediu penas mais duras para estes ladrões, em um momento no qual começam a faltar alimentos e outros bens essenciais no país.

Segundo entidades das Nações Unidas, mais de sete milhões dos 12 milhões de habitantes do Zimbábue precisarão de ajuda de alimentos este ano para sobreviverem pela falta de colheitas e a crise econômica que castiga o país e que impede sua importação.

Além disso, o Zimbábue, cujo sistema de saúde foi derrubado, sofre uma epidemia de cólera que, segundo números divulgados ontem pelo Escritório de Coordenação de Ajuda Humanitária da ONU (Ocha), causou a morte de 3.688 pessoas e afetou outras 77.650 nos últimos meses.

A economia do Zimbábue está em caos absoluto, com uma inflação astronômica e um desemprego de 94%, segundo entidades da ONU. EFE rt/fal

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