Escândalos sexuais salpicam classe política italiana

Carmen Postigo Roma, 14 fev (EFE).- Política e escândalos sexuais andam de mãos dadas na Itália em tempos de São Valentim.

EFE |

O último escândalo que repercute na Itália envolve o Chefe de Defesa Civil, Guido Bertolaso, um dos assessores do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

Os italianos acompanham impávidos a incessante novela de episódios sexuais que ecoam na classe política italiana.

Dessa vez, Guido Bertolaso é investigado por receber supostamente "favores sexuais" em troca de fazer concessões das obras públicas para a organização da cúpula do G8 de La Magdalena.

O escândalo envolve "favores sexuais" no spa Salaria Sport Village de Roma - segundo Berlusconi transformado em paladino de Bertolaso. Lá, o chefe da Defesa Civil só era submetido a massagens "por causa de suas dores de costas" por uma mulher.

O pioneiro nos capítulos de sexo e tumulto foi nem mais nem menos que Silvio Berlusconi, com suas grandes festas sexuais rodeadas de garotas, champanhe, brincadeiras e suas inevitáveis interpretações musicais.

Berlusconi, então casado com sua segunda esposa, Veronica Lario, foi em abril 2009 à festa de aniversário de 18 anos de uma amiga, Noemi Letizia, o que lhe custou o pedido de divórcio de sua mulher.

Uma longa lista de jovens começou a ganhar espaço na imprensa, descrevendo as festas que organizava Berlusconi em suas residências de Sardenha e Roma.

Até uma prostituta, Patrizia D'Addario, relatou a noite que passou com Berlusconi. Mas essa senhora de 42 anos foi mais cautelosa e foi a uma gravadora onde tirou muito proveito da repercussão.

A avalanche de relatos das garotas vinha preparada com fotografias publicadas na imprensa com a imagem delas tomando o sol em topless na casa de Berlusconi na Sardenha, Villa Certosa, e com o ex-primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, sem roupas, recolhendo uma toalha à beira de uma piscina.

O primeiro-ministro da Itália não só não se retratou, mas ainda provocou: "Sou assim e não posso mudar" e negou ter pagado alguma garota. Disso se encarregava o empresário Giampaolo Tarantini para obter tratamento de graça para seus negócios por parte do primeiro-ministro.

Não foram bons tempos para o primeiro-ministro, mas hoje, passado o calor do momento, Berlusconi, de 73 anos, enviou beijos "a todas minhas namoradas" no Dia de São Valentim, confirmando o que ele mesmo admite: "não tenho remédio".

As diversões do primeiro-ministro foram se difundindo ao explodir em setembro outra bomba-relógio, esta vez relacionada com a Igreja.

O diretor do jornal dos bispos italianos "Avvenire", Dino Boffo, renunciou após uma semana de polêmicas com o diário "Il Giornale", propriedade da família Berlusconi. "Il Giornale" publicou um editorial no qual apontava Boffo como amante da esposa de um homem com o qual supostamente mantinha uma relação.

Foi um alvoroço que tumultuou até o Vaticano, que há poucos dias teve de desmentir seu suposto envolvimento em um complô criado por Berlusconi para derrubar Boffo.

Ao caso Boffo, seguiu em outubro o do presidente da região do Lácio, Piero Marrazzo, do opositor Partido Democrata (PD), e casado, a quem tentaram chantagear com um vídeo no qual aparecia com um transexual brasileiro, Brenda, com cocaína.

Esse escândalo, em princípio negado por Marrazzo, acarretou na renúncia do político, que preferiu se aposentar.

Tanto o transexual como o traficante que forneceu a droga a Marrazzo depois apareceram mortos. Há poucos dias, a imprensa italiana publicava imagens de Marrazzo cabisbaixo e que aparecia com o cabelo branco, embora sempre o tingisse bem escuro anteriormente.

Após um ínterim não isento de rumores de índole sexual envolvendo personagens como Alessandra Mussolini relacionada com um líder da extrema-direita, e a Lapo Elkann, neto do magnata Giovanni Agnelli, passeando por Paris com um transexual a bordo de uma Ferrari, a última confusão às vésperas de São Valentim. EFE cps/sa

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