O DAS, serviço de inteligência colombiano, está novamente no centro de uma tempestade, depois da revelação de que realizava escutas ilegais de políticos, jornalistas e magistrados, inclusive aliados do governo, o que obrigou o presidente, Alvaro Uribe, a desmentir que tivesse dado uma ordem nesse sentido.

A revelação da revista Semana gerou inclusive o pedido de diversos setores políticos para que sejam tomadas medidas drásticas, incluindo a dissolução da entidade, que depende diretamente do presidente.

Desde 2002, quando teve início o governo de Uribe, o DAS foi alvo de várias acusações de ligação com grupos paramilitares de ultra-direita e de espionar a oposição.

"Jamais dei uma só ordem para que a vida privada das pessoas fosse vigiada", reagiu nesta segunda-feira Uribe.

O presidente culpou pelas escutas ilegais um grupo de funcionários do DAS que integra "uma máfia que danifica igualmente a democracia colombiana, a liberdade, o país e o próprio governo".

As escutas, cujas provas começaram a ser destruídas em janeiro segundo a revista, eram feitas em congressistas, jornalistas e magistrados considerados opositores, mas também em funcionários próximos ao mandatário, como seu chefe de segurança e o secretário da Presidência, Bernardo Moreno.

Outra denúncia feita é a de que funcionários do DAS vendiam serviços de espionagem a paramilitares, narcotraficantes e inclusive à guerrilha.

Entre os espionados estão o senador da esquerda, Gustavo Petro, e a líder liberal, Piedad Córdoba. Ambos foram investigados "por seus vínculos com (o presidente da Venezuela Hugo) Chávez e a guerrilha", segundo uma fonte citada pela revista.

O jornal El Espectador acrescentou nesta segunda-feira novos nomes à lista, incluindo o ministro de Defesa, Juan Manuel Santos.

Héctor Helí Rojas, porta-voz no Congresso do Partido Liberal (oposição), pediu que seja discutido "o fim do DAS e a criação de uma nova entidade encarregada da inteligência oficial, com caráter civil e respeito aos Direitos Humanos".

O presidente do Congresso, Hernán Andrade, membro da coalizão governista, exigiu "medidas exemplares e reformas de fundo, para acabar com a corrupção interna" no serviço de inteligência.

Peritos do Ministério Público começaram nesta segunda-feira a inspeção da sede do DAS.

As revelações da Semana provocaram a renúncia de Jorge Alberto Lagos, subdiretor de contra-inteligência, em cujo gabinete teriam se concentrado as gravações e os documentos interceptados para serem destruídos.

O diretor do DAS, Felipe Muñoz, anunciou que outros funcionários pediram demissão.

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