Escândalo no Peru atinge primeiro-ministro

Por Marco Aquino LIMA (Reuters) - A oposição peruana pressionou na quarta-feira o presidente Alan García a reformar seu gabinete, por causa do envolvimento do primeiro-ministro Jorge del Castillo em uma suposta fraude numa concorrência para concessões de exploração de petróleo.

Reuters |

Castillo, braço-direito de García no governo, é citado numa gravação relativa ao escândalo, divulgada na quarta-feira pelo jornal Perú 21.

A polícia tentou prender membros do partido governista Apra implicados no caso, e o Congresso prometeu investigar contratos de exploração de petróleo desde 2006.

Os ex-candidatos a presidente Lourdes Flores e Ollanta Humala, além da deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, pediram mudanças no governo. "Há fitas que envolvem o primeiro-ministro, e achamos que há uma responsabilidade política da sua parte", disse Keiko.

Uma pesquisa do instituto Ipsos Apoyo mostra que a taxa de aprovação de García é de apenas 19 por cento, e que a corrupção é a principal queixa dos peruanos contra o governo.

O escândalo já havia levado à demissão do ministro das Minas e Energia, Juan Valdivia, e de dois importantes funcionários públicos do setor energético do Peru, cuja economia é a que mais cresce na América Latina, em grande parte devido à ampliação da produção de petróleo.

No domingo, um programa investigativo de TV divulgou as primeiras fitas do caso, nas quais Alberto Quimper, diretor da agência reguladora de energia Perupetro, conversava com o político governista Rómulo León a respeito de um suposto favorecimento da pequena empresa norueguesa Discover Petroleum numa licitação.

Quimper, responsável pela organização das licitações e contratos de exploração, e César Gutiérrez, presidente da estatal Petroperú, foram demitidos. Quimper está preso, e León está foragido.

A Discover, que estabeleceu parceria com a Petroperú, recebeu em setembro o direito de explorar cinco blocos de petróleo, mas posteriormente o governo suspendeu a licitação.

Desde o surgimento do escândalo, novas fitas vêm sendo divulgadas diariamente, inclusive a que implicou Castillo, que é o articulador político do governo.

O primeiro-ministro negou qualquer irregularidade e disse que seu nome foi meramente citado em gravações de lobistas que pleiteavam favorecimentos.

O presidente reiterou a promessa de demitir todos os envolvidos. "Vão rolar todas as cabeças que precisarem rolar", disse ele.

O novo ministro das Finanças do país, Luis Valdivieso, ex-executivo do FMI, disse que as suspeitas de corrupção, coincidindo com a atual crise financeira global, podem dificultar a vinda de investimentos estrangeiros para o Peru. "A crise que estamos vivendo internamente...sem dúvida afeta a imagem do país", disse.

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