Escândalo faz Tom Daschle desistir de cargo no governo Obama

WASHINGTON - Tom Daschle, o candidato do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a ocupar a Secretaria de Saúde, desistiu do cargo nesta terça-feira, pressionado por um escândalo de sonegação fiscal. Ele pagou atrasado cerca de US$ 140 mil em impostos. Daschle é o segundo secretário indicado por Obama que não vai ocupar o cargo, já que Bill Richardson, governador do Novo México nomeado para o Departamento de Comércio, renunciou devido a uma investigação de corrupção no Estado.

Redação com agências internacionais |

Reuters
Daschle se desculpou por carta ao Comitê de Finanças
Daschle desistiu do cargo

Em declaração, o presidente Barack Obama afirmou que Daschle lhe pediu para retirar sua nomeação na manhã desta terça-feira. "Eu aceitei sua decisão com tristeza e pesar", disse Obama.

Daschle, que foi cotado para liderar uma grande reforma no custoso sistema de saúde pública norte-americano, declarou que estava se retirando porque não queria ser um transtorno.

A revelação de que Daschle não pagou a tempo os devidos impostos sobre rendas adicionais desde que saiu do Congresso, em 2004, gerou críticas sobre o processo de revisão ao qual toda nomeação do gabinete presidencial é submetida.

Daschle, ex-senador por Dakota do Sul, corrigiu suas declarações de impostos de 2005 a 2007 no Serviço Interno de Rendas (IRS) para incorporar US$ 128.203 atrasados e um total de US$ 11.964 em juros.

"Estou profundamente envergonhado e decepcionado com os erros que me obrigaram a corrigir minhas declarações de impostos", disse Daschle em carta enviada à Comissão de Finanças do Senado na segunda-feira. "Peço desculpas pelos erros e lamento profundamente que vocês tenham tido que dedicar tempo a isso", acrescentou Daschle.

O ex-senador democrata não tinha declarado impostos sobre rendas adicionais que recebeu por um trabalho de consultoria e o uso de um serviço de veículo e motorista, e também não documentou corretamente algumas doações para caridade.

Também nesta terça-feira, outra indicada por Obama, Nancy Killefer, desistiu do cargo de supervisora do setor da Presidência responsável pela fiscalização de gastos públicos, por problemas com impostos que não foram pagos.

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, também se envolveu em um escândalo semelhante. Ele foi acusado de dever US$ 34 mil ao fisco americano. Mas Geithner não desistiu do cargo, se desculpou e sua indicação acabou sendo aprovada durante uma sabatina no Senado americano.

Comércio

Também nesta terça, Obama anunciou que escolheu o senador republicano Judd Greg para chefiar o Departamento de Comércio. O posto estava vago desde 4 de janeiro, quando Bill Richardson, renunciou à nomeação.

Se a indicação for aprovada pelo Senado, Gregg será o terceiro membro do Partido Republicano a ocupar um cargo de alto-escalão no governo Obama.

Analistas acreditam que a indicação de Gregg poderia ser um gesto de boa vontade do líder americano para com os membros da oposição, a fim de obter a aprovação de seu pacote de estímulo econômico de mais de US$ 885 bilhões.

Os republicanos vêm resistindo em aprovar o pacote, porque alegam que ele é excessivamente dispendioso e não promove cortes de impostos suficientes.

Leia também:


Leia mais sobre Tom Daschle

    Leia tudo sobre: tom daschle

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG