Erupção vulcânica na Islândia continua, mas cinzas baixam

Por Patrick Lannin REYKJAVIK (Reuters) - A erupção vulcânica na Islândia continua causando fortes tremores na quinta-feira, mas libera bem menos cinzas e fumaça na atmosfera.

Reuters |

As enormes nuvens de cinzas cuspidas pelo vulcão na semana passada praticamente paralisaram o tráfego aéreo europeu durante vários dias. Agora, o volume de cinzas que sai do vulcão é bem menor, e a nuvem, que chegou a ter 9 quilômetros de altura, está mais baixa.

Por outro lado, os tremores registrados no seu interior se intensificaram em relação à semana passada, segundo a geofísica local Steinunn Jakobsdottir. "Não sabemos exatamente o que isso está nos dizendo. Estaria nos dizendo que ainda não está parando (...). Como está agora, pode continuar por um bom tempo", afirmou ela a jornalistas.

A sismologista Bryndis Brandsdottir disse que os tremores podem indicar um acúmulo de lava, ou rochas derretidas, dentro da cratera. "A lava realmente não pode ir a lugar algum. Não está fluindo para fora da cratera, deve estar se acumulando lá", afirmou a especialista à Reuters.

Segundo ela, a tendência é de que a lava acabe saindo pelo lado norte da montanha, onde já ocorreram inundações no começo da erupção, na semana passada, em geral longe de áreas habitadas.

Outro cientista disse, no entanto, que é difícil fazer previsões. "O espectro de possibilidades é muito amplo. Vulcões são muito diferentes entre si", disse Giuliano Panza, professor de sismologia da Universidade de Trieste, na Itália.

De acordo com ele, o estudo de vulcões se assemelha ao acompanhamento do coração humano - uma arritmia pode indicar problemas em um paciente, mas não em outro.

O vulcão sob a geleira Eyjafjallajokull, cerca de 120 quilômetros a sudeste de Reykjavik, capital islandesa, entrou em erupção há oito dias.

"Só a fissura mais ao norte está em erupção agora, e a coluna está ocasionalmente atingindo uma altura de 3 quilômetros, mas a maior parte está abaixo disso (...), estável a uma altura de 2-3 quilômetros", afirmou Jakobsdottir.

As cinzas devem continuar caindo sobre áreas próximas ao vulcão, causando preocupação com criações animais, devido à alta concentração de fluoretos no material.

Os islandeses também estão atentos ao vizinho vulcão Katla, que é muito maior e potencialmente devastador. Sua última erupção ocorreu em 1918, causando grandes inundações (pois a lava derrete o gelo sobre o solo).

Especialistas dizem que historicamente o Katla costuma entrar em erupção logo depois do vulcão subterrâneo sob a geleira Eyjafjallajokull, embora nem sempre seja assim.

(Reportagem de Patrick Lannin)

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