Santiago do Chile, 12 mai (EFE).- O ministro da Defesa chileno, José Goñi, disse que a incerteza gerada entre a população por causa da erupção do vulcão Chaitén, no sul do país, é a emergência mais complexa na história do Chile.

"A incerteza sobre o que pode acontecer de agora em diante é o grande muro que o Governo atravessa em sua operação de emergência na região da erupção, aspecto que a transforma em uma emergência natural de proporções inéditas para o país", declarou Goñi em entrevista à "Televisión Nacional de Chile".

O Chaitén entrou em erupção no dia 2 e desde então libera constantemente gases e cinzas, alternados com potentes explosões, e sobre sua cratera há uma coluna de material incandescente de milhares de metros.

"Estamos vivendo uma situação extraordinariamente complexa. A emergência natural mais complexa da história do Chile, que obrigou um deslocamento de mais de sete mil pessoas", declarou Goñi.

O ministro disse que apenas na cidade de Puerto Montt, a 1.044 quilômetros ao sul de Santiago, há cerca de quatro mil desabrigados em albergues "com grandes problemas" e afirmou estar "comovido com a situação".

Goñi disse que o grande problema da catástrofe que atinge a província de Palena, na Región de los Ríos, a 1.220 quilômetros ao sul de Santiago, é a "incerteza".

O ministro destacou a diferença desta crise com outros desastres naturais que afetaram ao país.

"Já vivi terremotos, inclusive estive em situações críticas neste último ano como ministro da Defesa, mas ali havia, por assim dizer, um começo e um final mais ou menos controlável. Aqui, o problema central é o que o vulcão vai fazer, como vai se comportar, isto não sabemos", explicou.

Na entrevista, Goñi disse que uma das primeiras preocupações do Governo, em coordenação com as autoridades regionais, foi supervisionar o estado do ar e da água para evitar danos não apenas no presente, mas também no futuro dos habitantes da região.

No entanto, o vulcanólogo Hugo Moreno, do Observatório Vulcanológico de los Andes del Sur (Ovdas), detectou a formação de uma terceira cratera no Chaitén, desde o início da erupção há dez dias.

Moreno explicou que com esta nova cratera o Chaitén poderia apresentar explosões ainda maiores às registradas até agora, que poderiam gerar um colapso de piroclastos (rochas incandescentes) e cinzas que poderiam chegar em seis minutos a Chaitén. EFE mc/wr/fal

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