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Erdogan diz que ofensiva israelense em Gaza é capítulo negro na história

Ancara, 6 jan (EFE).- O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, intensificou hoje suas críticas ao Governo israelense pela ofensiva militar na Faixa de Gaza, que, em sua opinião, passará à história como um capítulo negro, e denunciou que é motivada por interesses eleitorais internos.

EFE |

Em discurso perante o grupo parlamentar do governante Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), Erdogan acusou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e a ministra de Exteriores, Tzipi Livni, de tentar obter desta forma apoio popular visando às eleições gerais de fevereiro.

"Os israelenses dizem que o primeiro-ministro da Turquia fala de forma sentimental", afirmou o chefe do Governo turco no discurso, transmitido pelas televisões locais.

"Não, não sou sentimental quando falo deles. Penso 40 vezes antes de dizer algo. Minha sentimentalidade é para com nossos irmãos em Gaza", acrescentou.

Erdogan informou que esta manhã enviou um representante especial à Síria, com o objetivo de falar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de visita na região; o dirigente sírio, Bashar al-Assad, e oficiais do movimento islâmico Hamas.

Além disso, "meu ministro de Exteriores viajou para Nova York para estabelecer contatos no Conselho de Segurança da ONU", disse Erdogan, após ressaltar os esforços do Governo turco para conseguir a paz no Oriente Médio e um cessar-fogo.

O primeiro-ministro ressaltou que os ataques israelenses em Gaza começaram quando o Oriente Médio se aproximava da paz.

Além disso, reiterou sua acusação a Israel de "falta de respeito" para com o país por ter iniciado suas ações imediatamente depois que Olmert visitou a Turquia para tratar das conversas destinadas a avançar nas negociações de paz com a Síria, sob mediação de Ancara.

"A história escreverá o que os senhores estão fazendo hoje como um capítulo negro da vida humana", disse Erdogan aos dirigentes de Israel, e qualificou de "imperdoável" que uma nação que sofreu tanto quanto o povo judeu agora aja assim.

"Não estamos falando simplesmente como líderes de qualquer país.

Somos os netos dos otomanos que abrigaram seus antepassados quando eram perseguidos", lembrou o primeiro-ministro, em alusão aos judeus sefarditas refugiados na Turquia.

Após definir Gaza como a maior prisão aberta do mundo e campo de concentração de uma população que vive há dois anos com dificuldades para cobrir suas necessidades, Erdogan assegurou que não pode haver desculpas ou legitimação para matar mulheres e crianças e bombardear praças, ambulâncias e civis inocentes.

O primeiro-ministro turco criticou também a comunidade internacional e as organizações de defesa dos direitos humanos por não fazer o suficiente em favor do povo palestino.

"A ONU, a União Européia, os Estados Unidos, a Organização da Conferência Islâmica têm responsabilidade (nesta situação). Aqueles que agiram imediatamente na Geórgia, por que se calam agora?", questionou.

"O Hamas também cometeu erros, mas vocês (os israelenses) não podem construir esta atrocidade sobre os erros (do Hamas)", afirmou.

EFE dt/db

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