Buenos Aires, 18 jun (EFE).- Independentemente do resultados das eleições legislativas argentinas marcadas para o próximo dia 28, a fase de liderança política do casal Néstor e Cristina Kirchner no país já dá sinais de que chegou ao fim, opinaram hoje analistas locais.

Os responsáveis por três institutos de opinião pública também disseram em reunião com correspondentes estrangeiros que é "muito difícil antecipar números" sobre o pleito argentino, mas concordaram em dizer que o Governo perderá a maioria no Parlamento.

"Estamos assistindo ao fim do ciclo do sobrenome Kirchner", disse o analista Jorge Giacobbe, em alusão ao período que começou com a Presidência de Néstor Kirchner entre 2003 e 2007 e continuou com sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, que assumiu o Governo argentino há dois anos.

Para Giacobbe, "uma prova disso é que muitos dirigentes sairão do Governo e outras figuras governistas lançaram suas candidaturas presidenciais".

Os especialistas também concordaram em dizer que, mais uma vez, a definição das eleições passará pelos resultados na província de Buenos Aires, que concentra 38% do eleitorado do país e histórico bastião do peronismo.

Todos eles mencionaram uma "grande paridade" de intenções de voto entre o peronista Kirchner e o opositor Francisco de Narváez, que lideram as listas de candidatos a deputados dessa província.

"O Governo, mesmo que vença, já perdeu posições no Parlamento. As próximas eleições vão apontar as lideranças para o pleito presidencial de 2011", manifestou a analista Graciela Römer.

No próximo dia 28, os argentinos votarão para renovar quase a metade das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço das 72 do Senado, além de eleger legislaturas provinciais e municipais.

De acordo com Giacobbe, "Kirchner sabe que seu tempo acabou", motivo pelo qual "o que está em jogo nestas eleições é o grau de dignidade que o Governo de sua esposa terá nos próximos dois anos".

Quanto às eleições presidenciais de 2011, os analistas assinalaram que "há muitos líderes na corrida", como os peronistas Daniel Scioli e Carlos Reutemann - que é ex-piloto de Fórmula 1 -, além dos opositores Hermes Binner (socialista) e Mauricio Macri (conservador). EFE hd/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.