Equipes suspendem busca por sobreviventes de naufrágio na Itália

Operação para após navio se movimentar; chefe-executivo da Costa Cruzeiros diz que capitão fez manobra não autorizada

iG São Paulo |

Equipes de resgate suspenderam temporariamente nesta segunda-feira as buscas por sobreviventes do naufrágio do navio Costa Concordia, que tombou após colidir com uma rocha na costa da Itália na sexta-feira. Em entrevista coletiva, o chefe-executivo da empresa Costa Cruzeiros, operadora da embarcação, voltou a culpar o capitão pelo acidente.

De acordo com autoridades, o mau tempo e as águas turbulentas fizeram com que o navio se movimentasse alguns centímetros na horizontal e na vertical. As equipes de resgate, que ainda procuram 16 desaparecidos, estavam em uma operação no fundo do mar, mas tiveram de voltar à superfície. Seis corpos foram encontrados até agora.

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AP
Helicóptero dos bombeiros sobrevoa navio Costa Concordia perto da ilha de Giglio, na Itália (16/01)

O principal temor é em relação às 2,4 mil toneladas de combustível que ainda precisam ser recolhidas do navio. Apesar de nenhum vazamento ter sido detectado, o ministro italiano do Meio Ambiente, Corrado Clini, afirmou que o naufrágio traz "alto risco" de um desastre ambiental de grandes proporções na região da ilha de Giglio (Toscana).

Também nesta segunda-feira, o chefe-executivo da Costa Cruzeiros, Luigi Foschi, afirmou que o capitão da embarcação fez um desvio de curso “não aprovado e não autorizado”. “A empresa vai apoiar o capitão e dar toda a assistência necessária, mas precisamos reconhecer os fatos e não podemos negar que houve erro humano”, disse.

Segundo ele, os navios da Costa têm rotas programadas e alarmes que soam quando saem de curso. “A rota foi programada corretamente. O fato de a embarcação ter saído de curso se deve exclusivamente a uma manobra não aprovada e não autorizada feita pelo comandante”, afirmou.

Foschi disse que o navio é inspecionado regularmente e que a última checagem aconteceu em novembro. Emocionado e combatendo as lágrimas, o presidente pediu desculpas pelo acidente.

No domingo, a empresa que opera o navio afirmou que investigações iniciais indicam que erros cometidos pelo capitão do cruzeiro causaram o acidente .

De acordo com a Costa Cruzeiros, Francesco Schettino teria conduzido a embarcação perto demais da costa, além de não seguir os procedimentos de segurança determinados pela empresa.

"Aparentemente, o comandante cometeu erros de julgamento que tiveram graves consequências", dizia o comunicado da empresa.

Schettino é suspeito de homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e nega todas as acusações. Ele está sendo questionado pela polícia e alega que o sistema de navegação não mostrava obstáculos no local do acidente.

Schettino negou as acusações de que teria deixado a embarcação sem prestar auxílio aos passageiros e afirmou que só deixou o navio após terminar o processo de retirada dos ocupantes. Em uma entrevista transmitida pela TV italiana, ele foi questionado se seguiu a máxima de que "o capitão é o último a deixar o barco". "Fomos os últimos a deixar o navio", respondeu.

O capitão afirmou ainda que, de acordo com as informações de que tinha no momento do acidente, as rochas que provocaram a ruptura do casco do navio não foram detectadas pelo sistema de navegação automática da embarcação.

Segundo ele, as cartas náuticas não teriam indicado a presença de rochas no local. "Não deveríamos ter tido esse impacto', afirmou. “Pelas informações que tinha, estávamos a mais ou menos a 300 metros das rochas.”

Prejuízo

A empresa Carnival Corp., dona do navio de cruzeiro Costa Concordia que naufragou, disse nesta segunda-feira que deve ter um prejuízo em torno de US$ 90 milhões só pela não utilização da embarcação nos próximos meses. A Carnival Corp. é a empresa controladora da Costa Cruzeiros.

"A embarcação deve ficar fora de serviço pelo restante do atual ano fiscal, se não mais", disse a empresa em comunicado. "Para o ano fiscal que termina em 30 de novembro, o impacto para os lucros de 2012 em decorrência da perda do uso é previsto em aproximadamente US$ 85 a US$ 95 milhões"

A empresa disse que o seguro da embarcação deve cobrir cerca de US$ 30 milhões. "A esta altura, nossa prioridade é a segurança dos nossos passageiros e tripulantes", disse Mickey Arison, presidente e executivo-chefe da Carnival Corporation.

"Estamos profundamente entristecidos por esse trágico evento, e nossos corações estão com todos os afetados pelo naufrágio do Costa Concordia, e especialmente com os familiares e entes queridos dos que perderam suas vidas’, acrescentou.

Com AP, BBC e Reuters

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