Equipes perdem esperanças de encontrar sobreviventes na Itália

LAquila/Roma, 8 abr (EFE).- As equipes de resgate continuam o trabalho de remoção de escombros na cidade italiana de LAquila, a mais afetada pelo terremoto de domingo, sem esperanças de encontrar sobreviventes, em um dia no qual o número de mortos chegou a 260, dos quais 16 são crianças, enquanto a terra ainda treme.

EFE |

Em entrevista coletiva concedida em L'Aquila, para onde viajou pelo terceiro dia consecutivo, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse que nove corpos ainda não foram identificados.

O terremoto de 5,8 graus na escala Richter que atingiu a região de Abruzzo na noite do último domingo vem registrando réplicas de considerável intensidade. A última ocorreu ontem, atingindo 5,3 graus e foi sentida inclusive em Roma.

Na noite passada, as temperaturas chegaram a 4°C em L'Aquila. A população local viveu novos momentos de pânico devido a dois novos tremores de 3,5 e 3,7 graus de magnitude às 5h locais (0h de Brasília) e 6h27 locais (1h27 de Brasília), respectivamente.

Os novos tremores mantêm em alerta as 28 mil pessoas que, segundo Berlusconi, estão sem casa por causa dos terremotos. Cerca de 10 mil destes desalojados foram encaminhados pelas autoridades italianas para mais de 150 hotéis próximos à região afetada.

Boa parte dos evacuados teve que passar as últimas noites nos 31 acampamentos montados na área atingida pelo terremoto, em casas de parentes e amigos de locais não afetados ou até mesmo dentro de seus carros.

O primeiro-ministro da Itália, que disse não ter dormido nos últimos dois dias, definiu a situação dos evacuados como o "grande problema" enfrentado pelas autoridades que trabalham na zona. São mais de dois mil bombeiros, 1.500 militares, dois mil membros das forças da ordem e três mil voluntários.

Berlusconi falou sobre os possíveis saques que podem ocorrer em meio ao caos no qual ficou imersa a região de Abruzzo após o terremoto e prometeu a introdução de um "novo tipo de delito" na legislação italiana contra quem cometer esse tipo de crime, garantindo que "as penas serão muito duras".

Além disso, o primeiro-ministro anunciou a liberação de 16 milhões de euros para reconstruir imediatamente a Casa do Estudante de L'Aquila, entre cujos escombros foram encontrados ontem os corpos de quatro estudantes desaparecidos.

Berlusconi lembrou que o funeral de Estado em memória dos mortos pelo terremoto ocorrerá na próxima sexta-feira às 11h locais (6h de Brasília).

Hoje, o papa Bento XVI anunciou que visitará a região italiana de Abruzzo "o mais rápido possível", segundo o texto que pronunciou durante a tradicional audiência das quartas-feiras.

Bento XVI renovou "sua proximidade espiritual à querida comunidade de L'Aquila e aos vilarejos vizinhos, golpeados por violentos fenômenos sísmicos que provocaram inúmeras vítimas, tantos feridos" e enormes danos materiais.

L'Aquila se tornou uma cidade fantasma na qual só trabalham os serviços de resgate.

No recém inaugurado hospital San Salvatore, a pediatra Claudia Coloritti falou à Agência Efe sobre a insatisfação dos médicos com a baixa qualidade dos materiais utilizados na construção do centro, que obrigou os feridos a serem transferidos para hospitais de campanha.

"Um hospital é a primeira instituição que deve funcionar em situações de catástrofe como esta, e o San Salvatore foi o primeiro a deixar de fazê-lo", criticou Coloritti.

Os feridos estão sendo tratados em um pequeno hospital de campanha no qual, segundo os médicos, "com o tempo, não haverá como trabalhar".

Além dos danos nos edifícios, 400 fazendas da região foram fortemente afetadas pelo terremoto, sobretudo as que produzem laticínios, que enfrentam problemas para alimentar os animais, segundo a associação de agricultores italiana Coldiretti. EFE cps-mcs-fab/bba

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