Equipes de resgate encontram mais corpos em naufrágio na Itália

Número de mortos no naufrágio do Costa Concordia subiu para 11 nesta terça-feira; Justiça decreta prisão domiciliar a capitão

iG São Paulo |

As equipes de resgate que trabalham para achar as vítimas do naufrágio do navio Costa Concordia, que bateu em uma rocha na costa da ilha de Giglio e tombou na sexta-feira na costa oeste italiana, encontraram cinco corpos nesta terça-feira dentro da embarcação, elevando para 11 o número de mortos na tragédia.

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Vídeo em branco e preto feito com câmera infravermelha parece mostrar passageiros de cruzeiro Costa Concordia tentando chegar a bote (abaixo E) deixando navio por corda

As autoridades confirmaram na noite desta terça-feira que 20 passageiros - incluindo alemães, italianos, franceses e americanos - continuam desaparecidos, além de quatro tripulantes - um italiano, um húngaro, um indiano e um peruano.

Os cinco corpos eram de quatro homens e uma mulher que vestiam coletes salva-vidas e estavam na parte traseira do navio, perto de uma saída de emergência, de acordo com o comandante da guarda costeira italiana, Cosimo Nicastro. Ele afirmou que os corpos provavelmente são de passageiros com idades entre 50 e 60 anos.

A informação sobre o aumento do número de mortos surgiu no mesmo dia em que o tribunal decretou prisão domiciliar contra o capitão do navio, Francesco Schettino, após três horas de interrogatório. Ele, que manteve sua inocência, foi detido no sábado sob acusação de homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar), naufrágio e abandono do navio, crimes pelos quais pode ser condenado a até 15 anos de prisão.

De acordo com o advogado de Schettino, durante as várias horas de interrogatório o capital manteve que é inocente perante a juíza de instrução Valeria Montesarchio. "Ele defendeu seu papel na direção do navio depois da colisão, o que, em sua opinião, salvou centenas, senão milhares de vidas", disse Bruno Leporatti. Os promotores, entretanto, disseram que o depoimento de Schettino não muda o caso contra ele.

De acordo com o procurador Francesco Verusio, a companhia proprietária da embarcação, Costa Cruzeiros, admitiu que houve "erro humano" e que o capitão não respeitou o regulamento, aproximando-se até 150 metros da costa.

Nesta terça, as equipes provocaram duas explosões controladas no caso do navio, na tentativa de facilitar a entrada de mergulhadores e bombeiros em partes da embarcação às quais não tinham acesso. “Estamos correndo contra o tempo”, disse o porta-voz da Marinha italiana, Alessandro Busonero.

Segundo o porta-voz da Guarda Costeira, Filippo Marini, ainda há uma pequena possibilidade de que sobreviventes sejam encontrados. “A esperança é de que o navio esteja vazio e as pessoas estejam em outro lugar, ou que tenham encontrado um local seguro dentro da própria embarcação”, afirmou.

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Caixa preta

O depoimento do comandante à juíza nesta terça-feira coincide com a divulgação pela imprensa italiana de gravações da caixa preta do navio e de ligações telefônicas que indicam que o capitão teria ignorado uma ordem da guarda costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes.

De acordo com os relatos publicados, em uma conversa com a guarda costeira várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.

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O capitão do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, deixa o tribunal de Grossetto, na Itália
Segundo o Corriere della Sera, a guarda costeira perguntou ao capitão quantos ainda estavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.

A resposta levantou suspeitas e a guarda costeira perguntou se ele tinha deixado o navio. Schettino teria dito que sim. "O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda costeira a Schettino em determinado momento da conversa.

Ao ouvir do oficial que já havia corpos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.

O comandante garantiu que voltaria ao navio, mas testemunhas e investigadores que cuidam do caso afirmam que ele não voltou e disseram que ele pegou um táxi em direção a um hotel.

Ainda segundo as gravações obtidas pela imprensa italiana, o choque do navio com a rocha teria ocorrido às 21h45 (18h45 de Brasília), mas o capitão somente teria declarado problemas com a embarcação 49 minutos depois.

O primeiro alarme recebido pela guarda costeira teria vindo com a chamada de um passageiro do navio, às 22h06. A guarda costeira contatou então a tripulação do navio, mas foi informada que havia apenas um problema elétrico.

O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4,2 mil a bordo, incluindo cerca de 1 mil tripulantes.

Com AP

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