Equipes de resgate buscam sobreviventes no Paquistão

Equipes de resgate estão procurando sobreviventes do atentado suicida que deixou pelo menos 54 pessoas mortas em uma explosão no Marriott Hotel, em Islamabad, capital do Paquistão, no sábado à noite.

BBC Brasil |


Cerca de 270 pessoas ficaram feridas na explosão, que destruiu o hotel. Acredita-se que o número de vítimas deve subir com as equipes entrando em novas áreas do prédio.

A explosão, que teria sido causada por um caminhão-bomba, deixou uma cratera de seis metros em frente ao local.

A maioria das vítimas era paquistanesa, mas o embaixador da República Tcheca está entre os quatro estrangeiros mortos, junto a um cidadão americano, um alemão e um vietnamita. Pelo menos 12 estrangeiros ficaram feridos.

Segundo a correspondente da BBC em Islamabad, Barbara Plett, os serviços de emergência ainda não haviam alcançado os andares mais altos do prédio no domingo de manhã, onde teme-se que muitas pessoas tenham ficado presas.

Desabamento

O hotel, que tem segurança reforçada, foi atacado por volta de 20h, hora local (12h em Brasília), quando um caminhão explodiu na entrada, depois de ter sido parado para uma revista de segurança, segundo informou a direção do Marriott.

A explosão danificou a estrutura de metal e concreto e provocou um incêndio que queimou os 290 quartos dos cinco andares do prédio e durou até a manhã de domingo.

Testemunhas descreveram cenas de horror, com corpos cobertos de sangue sendo retirados dos escombros e hóspedes e funcionários correndo para buscar abrigo.

As equipes de resgate estão fazendo buscas em cada quarto do Marriott, mas o trabalho está sendo prejudicado pelo calor e alguns focos de incêndio, segundo informações da agência de notícias Associated Press. As autoridades advertiram que o edifício pode desabar por causa do incêndio.

Há informações de que havia pelo menos 200 pessoas quebrando o jejum do Ramadã - o mês sagrado dos muçulmanos - nos cinco restaurantes do hotel, na hora do atentado.

O ataque ocorreu pouco depois de o presidente, Asif Ali Zardari, prometer combater o terrorismo, em seu primeiro discurso no Parlamento desde que foi eleito, no mês passado.

Depois do atentado, ele disse em um comunicado transmitido pela TV: "Isto é uma epidemia, um câncer que temos que arrancar do Paquistão. Não vamos ter medo desses covardes".

EUA

Até agora, ninguém assumiu a autoria do atentado, mas segundo o correspondente da BBC em Islamabad Shoaib Hasan, os principais suspeitos são os integrantes do Talebã no Paquistão, que operam no noroeste do país.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, condendou o atentado e prometeu assistência. Ele disse que a explosão ressalta a "constante ameaça enfrentada pelo Paquistão, pelos Estados Unidos e por todos aqueles que se opõem ao extremismo violento".

Bush disse ainda que os EUA "vão ajudar o Paquistão a confrontar esta ameaça e trazer os responsáveis perante a Justiça".

O Marriott Hotel era um dos mais prestigiados da capital e era popular entre estrangeiros e a elite paquistanesa. Ele ficava próximo a prédios do governo e de missões diplomáticas, e a segurança era reforçada, com hóspedes e veículos sujeitos a revistas.

O hotel, no entanto, já havia sido alvo de militantes e no ano passado um extremista suicida provocou a própria morte e de mais uma pessoa em um atentado no prédio.

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