Equipes correm contra o tempo em operação de resgate no Concordia

Confirmação de mais duas mortes neste domingo contribuiu para abalar o ânimo do time responsável pelo resgate no navio

EFE |

Os mergulhadores encarregados de buscar os desaparecidos que ainda podem estar no interior do cruzeiro Costa Concordia, que naufragou na noite desta sexta-feira próximo à ilha de Giglio , na Itália, correm contra o tempo na busca por sobreviventes, após terem encontrado neste domingo os corpos de dois idosos numa cabine.

A descoberta de mais duas vítimas fatais foi devastadora para o ânimo das equipes de resgate. Horas antes, três pessoas foram encontradas com vida dentro da embarcação, o que aumentou a esperança de existirem mais sobreviventes.

Entenda o caso: Equipes encontram mais dois corpos após naufrágio de cruzeiro na Itália

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Igreja que serviu de abrigo aos sobreviventes na sexta-feira já retomou aparência original

A embarcação, na qual viajavam 4.229 pessoas e que encalhou num banco de areia de cerca de setenta metros no litoral da ilha, que pertence à cidade de Grosseto, na Toscana, está bastante inclinada para seu lado esquerdo, o que dificulta o trabalho dos bombeiros e mergulhadores. Ao se chegar à ilha de Giglio partindo num dos navios de Porto Santo Stefano, o que primeiro chama a atenção é ver como apenas o lado esquerdo da embarcação, onde uma enorme rocha está encravada no casco, está fora da água.

Além disso, botes salva-vidas que não puderam ser usados no caótico momento da evacuação dos passageiros permanecem pendurados na embarcação. Da ilha é possível ver a cobertura do navio em posição vertical, uma quadra de tênis, o terraço e o grande escorrega da piscina, do que foi o maior transatlântico que já naufragou em todo o mundo. Uma imagem que permite entender a magnitude da tragédia, e que fez os passageiros lembrarem do Titanic, que afundou nas águas do Atlântico Norte em 1912.

Da ilha, também é possível acompanhar o trabalho das equipes de resgate, que estão em vários barcos ao redor do navio de 114.500 toneladas e quase 300 metros de comprimento.

Neste domingo, quem estava no local pôde acompanhar o resgate por helicóptero de Marco Gianpietroni, comissário-chefe do Costa Concordia, que foi trazido numa maca do interior da embarcação, após ser localizado na ponte três do transatlântico. Ele ficou preso nas entranhas do navio e permaneceu 36 horas dentro do transatlântico.

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Quem visita a ilha ainda enxerga o casco do navio exposto, com uma grande rocha encrustada
A façanha demonstrou as dificuldades que as equipes de salvamento têm pela frente. Além do frio e da escuridão no interior do navio, os homens que trabalham no resgate precisam ir até a parte superior do lado esquerdo, de onde descem em cordas para o interior da embarcação. Segundo explicaram à agência Efe fontes do governo da Toscana, só estão trabalhando no interior do transatlântico bombeiros especialistas em espeleologia (ciência que estuda o interior de cavernas).

No píer da pequena ilha do mar Tirreno, é onde está concentrada toda a atividade da localidade, que por se tratar de um destino turístico, conta nessa época do ano (inverno na Europa) com apenas cerca de mil habitantes, que após o naufrágio abrigaram os sobreviventes em suas casas. De uma hora para a outra, Giglio se viu abarrotada de pessoas, que trabalham no centro de operação instalado no porto e de onde se controla o trabalho das equipes de busca, além, é claro, de um grande quantidade de jornalistas que se dirigiu ao local.

A igreja da ilha, que na noite de sexta-feira se tornou abrigo para os sobreviventes, recuperou sua aparência original. Neste domingo, porém, alguns coletes salva-vidas permaneciam pelos cantos do templo, imagem que se repete em todos os outros lugares para onde as pessoas que estavam a bordo do navio se refugiaram após a tragédia, como uma creche e um pequeno hotel.

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