Equipes brasileiras começam a enterrar mortos no Haiti

Soldados brasileiros começaram a enterrar corpos de vítimas do terremoto que sacudiu o Haiti no último dia 12 em um terreno fora da capital, Porto Príncipe.

BBC Brasil |

De acordo com a Agência Brasil, foram abertas valas com 20 metros de extensão e dois metros de largura. Em cada cova, os militares colocaram 20 corpos. Antes do enterro, os corpos foram fotografados para possível identificação posterior.

O governo do Brasil também confirmou nesta segunda-feira que chega a 18 o total de brasileiros mortos no terremoto no país caribenho. Entre eles estão dois civis - a fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e o representante especial adjunto do secretário-geral das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o diplomata Luiz Carlos da Costa.

O número de mortos entre militares foi confirmado em 16. O Comando do Exército identificou nesta segunda-feira o corpo do tenente-coronel Marcus Vinícius Macêdo Cysneiros, que estava desaparecido desde o terremoto.

Ele servia o gabinete do Comando do Exército e estava desempenhando funções de observador militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil.

Reconstrução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, nesta segunda-feira, a mobilização global em torno do Haiti e disse que o Brasil tem um papel importante no processo de reconstrução do país caribenho.

Em seu programa semanal Café com o Presidente, no entanto, ele cobrou mais ação dos outros países, recomendando que as nações "transformem a sensibilidade" diante da situação no Haiti em dinheiro para que se possa começar a reconstruir o país.

"O momento agora é de colocar a mão no bolso e ajudar", disse Lula, de acordo com a Agência Brasil.

"O Brasil já está, há vários anos, reivindicando dinheiro dos países doadores, porque é preciso que a gente resolva o problema do Haiti com mais rapidez."

Lula lembrou que o governo brasileiro anunciou ajuda de US$ 15 milhões ao Haiti e afirmou que alguns países podem ajudar mais. Ele destacou ainda que é preciso que haja coordenação para que a ajuda humanitária tenha efeito na reconstrução da nação.

A prioridade, segundo ele, deve ser água e alimentação para os haitianos.

Assistência

Segundo a agência de oficial de notícias do Brasil, um hospital de campanha brasileiro entrou em funcionamento em Porto Príncipe no domingo. "Já fizemos algumas cirurgias", disse o médico brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro Guimarães, da Companhia de Engenharia do Exército. O hospital tem capacidade para atender 400 pessoas por dia .

As Nações Unidas advertiram que os hospitais no Haiti e no país vizinho, a República Dominicana, estão lotados de pacientes.

Um grande número de sobreviventes do terremoto ainda está tendo que lidar sozinho com as consequências da tragédia, pois a ajuda internacional recebida até o momento é insuficiente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu aos haitianos que tenham paciência em relação aos esforços para o envio de ajuda humanitária ao país.

Durante uma visita à capital haitiana, Porto Príncipe, no domingo, Ban disse que a situação no país é "a pior crise humana em décadas".

O general encarregado das operações americanas no Haiti, Ken Keen, estima que até 200 mil pessoas podem ter morrido em consequência do tremor.

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