QUITO - Os equatorianos saíram neste domingo para ir às urnas e pronunciar-se sobre a nova Constituição proposta pelo presidente Rafael Correa, ao qual as pesquisas mais recentes davam vantagem na tentativa de fazer aprovar seu projeto socialista do século 21.

Quase 10 milhões de equatorianos devem votar no referendo, que prevê uma histórica virada à esquerda, contra oposição dos fracos partidos políticos tradicionais, do empresariado e da Igreja Católica.

Depois de 20 meses no poder, o presidente conserva alto nível de popularidade, sobretudo entre a maioria pobre do país, ao qual destinou projetos sociais multimilionários financiados com a receita do petróleo.

A nova Constituição aumenta o controle do Estado sobre setores estratégicos da economia equatoriana, baseada nas exportações de petróleo e nas remessas de dinheiro enviadas por milhões de equatorianos que emigraram para os Estados Unidos e a Europa, fugindo das recorrentes crises econômicas e políticas.

Ela também promete uma maior participação dos cidadãos na tomada de decisões, outorga amplos poderes executivos ao presidente esquerdista e lhe abre a porta para governar por mais dois mandatos consecutivos, o que lhe permitiria permanecer no poder até 2017.

Embora Correa assegure que a nova Constituição proposta representa a última oportunidade de sair da "longa e triste noite neoliberal" que arruinou o pequeno país de 14 milhões de habitantes, seus adversários dizem que ele a utilizará para seguir os passos de seu amigo e aliados venezuelano Hugo Chávez.

A oposição enfraquecida pode conseguir uma vitória simbólica na cidade litorânea de Guayaquil, seu reduto eleitoral, a partir da qual ela promete resistir ao "socialismo autoritário" do governo, conclamando a população à desobediência civil.

Mas especialistas descartam a possibilidade de repetir-se um cenário semelhante ao da Bolívia, onde os adversários do presidente Evo Morales também procuram evitar a aprovação de uma nova Constituição e pedem a autonomia das regiões mais ricas em que governam.

Apesar de sua amizade com Chávez e Morales, analistas vêm Rafael Correa como um líder menos radical que eles, alguém que faz uma crítica pragmática aos Estados Unidos.

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