Equatoriano que sobreviveu no México ia aos EUA para ajudar pais

Luis Freddy Lala Pomavilla, que escapou do ataque que deixou 72 mortos, ajudaria pais nos EUA a pagar dívida com "coiotes"

EFE |

Luis Freddy Lala Pomavilla, o equatoriano de 18 anos que supostamente se salvou da chacina de imigrantes no México , estava a caminho dos EUA para se encontrar com seus pais e ajudá-los a pagar o que deviam aos "coiotes" (pessoas contratadas para fazer os ilegais atravessar a fronteira), disse à Agência Efe sua tia María Udulia Lala.

Apelidado de "Freddy", o jovem relatou ter conseguido escapar do rancho onde foram assassinados 72 companheiros de viagem , incluindo pelo menos quatro brasileiros . Os corpos foram encontrados no rancho perto de San Fernando, no Estado de Tamaulipas, após ele ter avisado as autoridades sobre a ação dos criminosos. Segundo relatos, o jovem conseguiu fugir de seus sequestradores e percorrer vários quilômetros ferido até ser socorrido por policiais.

AP
Equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla descansa em hospital em Matamoros, no leste do México. Ele é testemunha de massacre de 72 imigrantes perto da fronteira dos EUA
Apesar de o governo do México tratá-lo como testemunha protegida, e oficialmente não ter revelado sua identidade, "Freddy" foi identificado como Luis Freddy Lala Pomavilla e teve sua foto, sedado em um hospital, divulgada pela mídia.

O presidente do México, Felipe Calderón, lamentou nesta quinta-feira o vazamento da identidade e da imagem do equatoriano. "Ordenei que cuidassem da identidade da testemunha e será preciso investigar o que ocorreu", afirmou Calderón.

O sobrevivente afirma que o grupo, que seria composto por brasileiros, salvadorenhos, hondurenhos e equatorianos, seguia rumo à fronteira do México com os EUA com a intenção de atravessá-la quando foi interceptado por um grupo armado, que ele vinculou aos "Zetas", uma das organizações criminosas mais violentas do México.

Origem humilde

No Equador, Pomavilla era agricultor e, quando tinha sorte, operário de construção. Vivia em Zer, uma cidade de 400 pessoas na região andina do sul do Equador, numa casa de barro com um só quarto, de 2 metros de largura por 3 metros de comprimento.

Ele morava com sua esposa, Angelita Lala, grávida de quatro meses, a única pessoa a quem revelou o perigoso plano de cruzar a fronteira. "Ele foi sem dizer nada à família. É o sobrinho mais querido", disse a tia María, que continua em Zer, uma pequena comunidade da Província de Cañar.

Na sua cidade natal, todos os parentes de "Freddy", como lhe chamam em casa, estão apreensivos. "Estamos tristes, preocupados. Dizem que algo aconteceu e não sabemos o quê", afirmou María.

A última vez que os parentes tiveram notícias dele foi há uma semana, quando ele ligou do México para a mulher, por meio de seu coiote, para dizer que seguiria rumo aos EUA. Do outro lado da fronteira estavam seus pais, Alejandro e María Oliva Lala, que precisavam dele. "Praticamente lhe obrigaram a ir", disse María.

Ambos estão desempregados e, nos últimos tempos, só podiam enviar US$ 50 por semana à família em Zer, segundo ela. No entanto, disse María, não podem voltar ao Equador porque ainda não pagaram as dívidas que contraíram com os coiotes que os levaram aos EUA, apesar de Alejandro já estar há sete anos no país e sua esposa há dois.

Freddy ia aos EUA para ajudá-los a pagar o que deviam. No entanto, ele mesmo contraiu uma dívida de US$ 11 mil com um coiote para fazer a travessia da fronteira. Seus planos minguaram na terça-feira, quando homens armados o sequestraram juntamente com um grupo de imigrantes no Estado de Tamaulipas e os levaram a um rancho perto da cidade de San Fernando.

O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, prometeu na quarta-feira mobilizar a embaixada de seu país no México para ajudá-lo e prestar assistência a qualquer outro equatoriano afetado pela tragédia.

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