Quase 10 milhões de equatorianos devem ir às urnas amanhã (domingo) para votar no referendo constitucional que reforça o poder e habilita a reeleição do presidente Rafael Correa.

O presidente enfrentará as urnas pela quarta vez em dois anos e com amplas chances de vitória.

A consulta, que será realizada entre 7h e 17h (9h e 19h de Brasília), chama particular atenção em Guayaquil (sudoeste), a cidade mais próspera e povoada do país, onde Correa pode amargar uma derrota.

Se receber a metade mais um dos votos válidos, a iniciativa se converterá na 20ª Constituição do Equador, um país rico em petróleo.

As pesquisas indicam que o documento será aceito por 57%, embora o governo espere quase 70%.

O texto submetido ao voto popular instaura um novo modelo econômico, que tem como objetivo impulsionar um "socialismo do século XXI" após anos de neoliberalismo. Ele concede ao Estado o direito de regular e planejar a economia e ampliar as prerrogativas presidenciais, além de defender a gratuidade da saúde e da educação.

O documento inclui, de maneira geral, fórmulas com as quais o governo espera sepultar uma década de crise que derrubou três presidentes.

Vários membros da oposição conservadora alertaram para riscos de fraude, dando a entender que os resultados da votação talvez sejam manipulados. O representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) destacou que não recebeu uma queixa formal da oposição nesse sentido.

Segundo o representante da OEA, Enrique Correa, a campanha foi marcada "por uma lógica de confronto baseada na difamação do adversário", e o debate sobre o conteúdo "acabou sendo relegado para segundo plano".

O delegado da OEA também denunciou a ausência de legislação sobre os gastos eleitorais. O Estado gastou muito mais do que a oposição para defender seu projeto.

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