Arquivos das Farc são verdadeiros, diz Interpol" / Arquivos das Farc são verdadeiros, diz Interpol" /

Equador rejeita análise que liga governo às Farc

Lima - O presidente equatoriano, Rafael Correa, rejeitou o relatório divulgado pela Interpol na quinta-feira, apontando que os arquivos encontrados em um laptop de guerrilheiros colombianos são autênticos e não foram alterados. O governo colombiano afirma que os dados mostram a ligação da Venezuela e do Equador com rebeldes. http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/05/15/arquivos_das_farc_sao_verdadeiros_diz_interpol_1314233.htmlArquivos das Farc são verdadeiros, diz Interpol

Reuters |

Em entrevista à Reuters, Correa disse também que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deveria estudar um aumento na produção de petróleo para aliviar o impacto dos custos da energia sobre os países pobres.

Ele falou ainda sobre as boas discussões que teve com líderes europeus sobre Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Correa, aliado ideológico de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e grande crítico dos EUA, acusa o colega colombiano, Alvaro Uribe, de lançar uma campanha suja contra ele desde março, quando as forças da Colômbia bombardearam um acampamento das Farc em território equatoriano.

Uribe, que tem uma relação de proximidade com Washington, diz que o laptop das Farc encontrado no acampamento continha provas da ligação entre a guerrilha e os dois países vizinhos. Ele pediu à Interpol que investigasse os arquivos, mas a agência policial internacional disse que avaliaria apenas se houve alterações, sem verificar o conteúdo dos documentos.

Correa disse que os arquivos não são confiáveis.

"Não tenho o menor interesse no que a Interpol tem a dizer", disse ele à Reuters. "Que validade tem (o relatório)?".

A Colômbia disse que os documentos mostram que Chávez mantinha contato com as Farc, que lutam contra o governo colombiano há décadas.

Correa está em Lima, capital do Peru, para participar de uma cúpula entre líderes europeus e latino-americanos. Em março, os três países andinos chegaram perto de um conflito armado.

Preços do petróleo e troca de reféns

Depois da divulgação do relatório da Interpol, Chávez disse que iria reavaliar suas relações diplomáticas com a Colômbia.

O Equador rompeu relações com Bogotá durante a crise. Correa descartou a possibilidade de retomá-las durante a cúpula.

"Enquanto (a Colômbia) se comportar assim, será impossível ter uma boa relação", disse.

Referindo-se aos recordes nos preços do petróleo, Correa disse que a Opep deveria pensar em aumentar a produção para aliviar o impacto que a alta do preço da energia pode ter sobre os países mais pobres.

"Acho que a Opep tem de lidar com este assunto, porque isto está afetando os países mais pobres que são importadores de petróleo", disse. "E em membros indiretos da Opep, como o nosso país, é um dos fatores que geram inflação ao redor do mundo, o que também prejudica os pobres", completou.

O Equador, além de membro da Opep, é o quinto maior produtor de petróleo da América do Sul, com cerca de 500 mil barris por dia.

"O diálogo deve continuar para atingirmos soluções. É uma questão importante e está sendo discutida", disse Correa.

Durante uma viagem a França e Espanha nesta semana, Correa disse que conversaria com líderes europeus sobre a libertação de Betancourt, cidadã franco-colombiana sequestrada pelas Farc em 2002.

Ele disse que o Equador quer tentar achar uma forma de garantir a libertação das pessoas que estão nas mãos dos rebeldes, mas ressaltou que seu governo somente entraria em contato com os guerrilheiros por mediadores.

"Esperamos conseguir entrar em contato de novo para a libertação dos reféns, se necessário em território equatoriano", disse. "Faremos o que pudermos por esta ação humanitária, sem pedir a permissão de ninguém".

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