Equador propõe coordenação monetária para a América Latina

SAN SALVADOR (Reuters) - O presidente do Equador, Rafael Correa, propôs na quinta-feira que as nações da América Latina coordenem suas políticas monetárias para evitar a depreciação de suas moedas diante da crise financeira mundial. Bancos centrais latino-americanos têm perdido reservas para defender suas moedas e tomaram medidas para garantir a liquidez dos mercados, em uma região onde ainda estão frescas as memórias de sucessivas crises econômicas nas décadas de 1980 e 1990, que culminaram por diversas vezes em recessão.

Reuters |

"É urgente, se queremos concretizar as coisas, não ficarmos na retórica, um projeto, um acordo monetário regional que permita coordenar nossas políticas monetárias e que não caímos na absurda competição entre nós mesmos", disse Correa em sua participação na 18a Cúpula Ibero-americana, em El Salvador.

"Os que se beneficiam são os países do primeiro mundo, comprando bens mais baratos, pagando salários mais baratos", sublinhou o mandatário equatoriano, diante de presidentes e chefes de estado da América Latina, de Portugal e da Espanha.

Apesar de a América Latina estar em melhores condições para enfrentar a crise do que em outras épocas, com economias mais estáveis com mais dinheiro, após um ciclo de alta das matérias-primas, a turbulência baixou o ritmo de crescimento da região.

A tormenta financeira mundial, que foi disparada por um problema nas hipotecas de alto risco dos Estados Unidos, somada à desaceleração da maior economia do mundo, tem castigado os mercados latino-americanos.

Correa disse que a coordenação monetária poderia ter vários níveis e, inclusive, se poderia pensar em uma moeda regional.

"E por que não? Se a Europa pode fazê-lo, por que nós não podemos?", disse ele.

O presidente afirmou ainda que uma coordenação monetária enviaria uma mensagem de calma aos mercados financeiros.

O G20, criado em 1999 para discutir problemas chave da economia global e formado por ministros de finanças e presidentes de bancos centrais de 19 nações industrializadas e emergentes, se reunirá em novembro para discutir a crise.

(Reportagem de Adriana Barrera)

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