QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, deu posse na quinta-feira a uma nova cúpula militar, em um momento em que o governo tenta promover reformas para reduzir o poder dos generais.

O comando militar renunciou na quarta-feira, em protesto contra denúncias do presidente de que os serviços militares de inteligência estariam sob controle da CIA (agência norte-americana de inteligência).

A suspeita repercutiu mal nos quartéis, que até então mantinham uma postura de colaboração com o presidente nacionalista, que tomou posse em janeiro.

A saída dos comandantes, um dia depois da demissão do ministro da Defesa, implica um sério desafio para Correa, num país onde as Forças Armadas foram responsáveis pela queda de vários presidentes.

Além disso, Correa precisa do apoio militar na sua cruzada para reduzir o poder dos partidos tradicionais e reformar a Constituição de modo a dar mais poderes econômicos para o Estado.

'Não permitiremos que (as Forças Armadas) passem sobre nossa autoridade e sobre nossa legitimidade democrática', disse Correa em discurso a militares. 'Este é um governo que não é fantoche de ninguém.'

As falhas de segurança e inteligência no Equador ficaram claras quando da ação militar colombiana de 1o de março contra um acampamento da guerrilha Farc em território equatoriano, o que desencadeou uma crise diplomática regional.

Correa acusou os órgãos de inteligência militar e policial de compartilharem informações com Bogotá e Washington durante essa crise, o que segundo o presidente seria uma prova da influência da CIA no país.

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