Equador investiga líder católico por intromissão política

QUITO (Reuters) - Um procurador equatoriano iniciou na segunda-feira uma investigação inédita contra um líder da Igreja Católica local devido a sua suposta intromissão política após atacar a nova Constituição proposta pelo governo. A investigação sobre o presidente da Conferência Episcopal Equatoriana (CEE), arcebispo Antonio Arregui, acontece no momento em que a cúpula eclesiástica mantém uma disputa com o presidente do país, Rafael Correa, por causa de uma parte do projeto de reformas.

Reuters |

Segundo os prelados, alguns fragmentos da nova Constituição atentariam contra os princípios morais dos equatorianos.

Correa tem batido de frente com os líderes de igrejas, que dizem que o governo pode abrir o caminho para o aborto na nação de maioria católica.

Alguns padres já começaram a alertar os frequentadores de suas igrejas nas missas de domingo.

Correa, economista de esquerda e devoto católico, descartou as acusações, dizendo que são mentiras, e acusa os religiosos de terem se aliado às elites poderosas que se opõem à nova Constituição, que será votada em referendo em setembro.

Uma cópia da ordem de investigação foi mostrada por um canal de televisão local.

O procurador exige que Arregui testemunhe voluntariamente sobre as acusações de violar o tratado internacional que proíbe o clero de se intrometer em questões políticas.

Um grupo de esquerda que simpatiza com o governo entrou com as acusações neste mês, pedindo a renúncia de Arregui como chefe da Conferência Episcopal.

Arregui não comentou o assunto.

Uma pesquisa de opinião afirmou que a batalha de Correa com a igreja pode arruinar o apoio à nova Constituição, que aumentaria seus poderes sobre a economia do país, produtor de petróleo, e sobre as instituições políticas equatorianas.

(Por Alonso Soto)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG