Equador fecha 2008 com nova Carta e Correa ainda mais forte

Fernando Arroyo León. Quito, 20 dez (EFE).- Após conseguir a aprovação de uma nova Constituição para o Equador, o presidente Rafael Correa tem agora o desafio de aprofundar a revolução cidadã para chegar ao que chama de socialismo do século 21, nas eleições presidenciais e gerais que acontecem em abril de 2009.

EFE |

Correa, um economista de esquerda amplamente apoiado pelos equatorianos, em uma popularidade que não é vista desde o retorno do Equador à democracia, há cerca de 30 anos, está à espera da provável aprovação da coalizão Aliança País para se apresentar como candidato presidencial.

Com isso, Correa quer no próximo pleito enterrar definitivamente o que chama de "partidocracia", ou seja, os grupos tradicionais que considera de direita e que foram derrotados por ele nas últimas eleições.

No entanto, e apesar de na oposição não terem surgido figuras que aparentemente o intimidem, ou talvez precisamente por isso, o ex-presidente Lúcio Gutiérrez pediu a todos os partidos que se unam em uma só frente para tentar conter Correa.

Gutiérrez e o prefeito de Guayaquil, Jaime Nebot, são os principais nomes da oposição e, embora não tenham elos oficiais, a Aliança País, de Correa, acredita que estejam ligados para enfrentar seu projeto.

No entanto, o Governo se apóia na popularidade de Correa, que seguramente será o trunfo mais forte da esquerda em abril.

A popularidade de Correa, segundo várias pesquisas, ronda 70%, índice que se mantém desde que venceu as eleições de novembro de 2006, que o levaram à Presidência em janeiro de 2007.

Depois, Correa saiu vitorioso também no plebiscito de abril de 2007, quando o povo aprovou a instalação da Assembléia Constituinte, com plenos poderes para redigir a nova Carta do Estado.

Com a imagem de Correa como cenário de fundo, a Aliança País também ganhou as eleições de membros da Assembléia Constituinte em setembro de 2007, quando obteve 80 das 130 cadeiras possíveis.

Um ano mais tarde, em setembro de 2008, no referendo para aprovar a nova Constituição, Correa esteve à frente de outra vitória arrasadora, com quase 64% dos votos pela aprovação da Carta, embora a oposição tenha mantido uma ligeira vantagem em Guayaquil.

Por isso, as próximas eleições são fundamentais para o Governo, que tentará dar continuidade a seu projeto de "socialismo do século 21" para enterrar, também, o que Correa chama da "longa e triste noite neoliberal".

Essa proposta também é levada adiante pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, aliados e amigos de Correa na "mudança de era" que impulsionam na América do Sul.

Caso Correa vença o próximo pleito, tentará usar todas as vias para empreender as reformas que coloca em sua Constituição, embora, internamente, sua aplicação deva enfrentar a oposição de velhos aliados da esquerda, que são contra alguns aspectos de sua proposta.

A resistência deve vir, sobretudo, de grupos de indígenas e ambientalistas, que se opõem amplamente às políticas no setor da mineração, por temerem que possam afetar a ecologia e beneficiar, exclusivamente, grandes transnacionais.

Correa descarta essas ameaças e assegura que a mineração, além da extração de petróleo, pode ser uma porta para propiciar o desenvolvimento e levar adiante uma revolução pacífica em seu país.

O governante, que a exemplo de Chávez já se declarou bolivariano, assegura que a integração é uma saída da América do Sul para romper com a dependência econômica dos organismos multilaterais de crédito e dos Estados Unidos.

Para Correa, a União de Nações Sul-americanas (Unasul), em desenvolvimento, deve dar espaço à criação do Banco do Sul e de um fundo de reserva regional.

Correa também não descarta uma integração monetária, que partiria de uma unidade de conta comum, como passo prévio à criação de uma moeda regional, que poderia se chamar Sucre, nome da antiga divisa equatoriana, que desapareceu em 2000, quando o Equador adotou o dólar. EFE fá/rr

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