Equador e Colômbia ratificam compromisso pela retomada de relações

José Luis Paniagua Playa del Carmen (México), 22 fev (EFE).- Equador e Colômbia ratificaram hoje, durante a 2ª Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe, o compromisso de normalizar suas relações, enfraquecidas após o bombardeio em março de 2008, com um Mapa de Caminho que conduza os países nessa direção sem cronogramas ou datas.

EFE |

O presidente do Equador, Rafael Correa, assegurou hoje que os países deram um "passo decisivo" em direção à normalização das relações. Segundo o Governo equatoriano, só falta o restabelecimento da parte mais importante: a volta dos embaixadores.

O encontro de Uribe e Correa foi a primeira reunião bilateral que realizaram desde o incidente de 1º de março de 2008, quando forças colombianas atacaram um campo da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) instalado na floresta equatoriana, em uma localidade conhecida como Angostura.

O presidente equatoriano disse que "sem jamais esquecer o passado para não repetí-lo, mas olhando em direção ao futuro", os governantes ratificaram a vontade de normalizar "o mais rápido possível as relações".

"Não há data, não há cronograma, mas há um Mapa de Caminho e requisitos e requerimentos por parte basicamente do Equador, aos quais teve acesso o Governo colombiano", disse o líder equatoriano.

Essas exigências compreendem a entrega de informação dos pormenores do bombardeio "para eliminar qualquer suspeita de intervenção de um terceiro país", explicou Correa, em referência aos Estados Unidos e à utilização de bombas de fabricação americana.

O líder equatoriano acrescentou que entre as exigências também se encontra a entrega dos discos rígidos dos computadores apreendidos pelas forças colombianas no acampamento das Farc e que supostamente vinculavam o Governo de Correa com o grupo insurgente.

Correa explicou que há uma comissão para tratar temas "sensíveis", e o grupo contará com o apoio do Centro Carter e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

No bombardeio morreram pelo menos 26 pessoas, entre elas o porta-voz internacional das Farc e então "número dois" do grupo guerrilheiro, conhecido como "Raúl Reyes", e quatro estudantes universitários do México.

Correa anunciou que se reunirá com os familiares dos mexicanos mortos no bombardeio e o pai de Lucía Morett, única sobrevivente do ataque.

Por sua parte, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, indicou em breves palavras a jornalistas que foi "a reunião com Correa transcorreu com 'bom espírito'".

"Os presidentes reiteraram a vontade de avançar nos mecanismos que permitam normalizar as relações, sabendo que há um Mapa de Caminho estabelecido pela vontade dos dois presidentes e estipulada entre os dois chanceleres", disse o ministro de Exteriores colombiano Jaime Bermúdez a jornalistas.

Por sua parte, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, considerou "positivo" que os presidentes de Equador e Colômbia "voltem a retomar o diálogo e voltem a normalizar as relações políticas e econômicas" entre os dois países.

"Com todas as diferenças que possamos ter, mas a transparência, o respeito, a confiança, são coisas que devem ser restituídas", disse a jornalistas.

O Equador rompeu relações com a Colômbia dois dias após o bombardeio. Os países começaram o restabelecimento do processo de normalização dos vínculos em setembro de 2009, em Nova York, com a criação do Mapa de Caminho. Em novembro passado os países designaram encarregados de negócios. EFE jlp/fm

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